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DO CLARÍN.COM: Secretário de Segurança do Rio: “Não posso garantir quando o Exército não será mais chamado”


Marcia Carmo

José Mariano Beltrame disse, nesta quinta, 27 de março, em entrevista ao Clarín em Português, em Buenos Aires, que adiar o pedido de ajuda ao Exército pode ter contribuído para dificultar o combate ao tráfico de drogas no Rio. Ele afirmou, no entanto, que o Rio já encontrou “seu rumo” na área de segurança. E garantiu que o Brasil será seguro na Copa do Mundo.

Beltrame está em Buenos Aires para realizar palestras, nesta sexta, 28 de março, na Universidade Católica de Buenos Aires (UCA) no momento em que a segurança pública passou a ser prioridade entre os argentinos e que políticos locais apontam as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) como exemplo. Beltrame tem sido citado como modelo no combate ao crime por prefeitos da província de Buenos Aires. Na semana passada, foi a vez do prefeito Joaquín de la Torre falar sobre Beltrame na TV argentina. O mesmo já fizeram governadores.

A entrevista foi realizada no hotel onde o secretário está hospedado em Buenos Aires e minutos depois de ele ter falado com sua assessoria no Rio de Janeiro sobre a prisão de um líder do tráfico de drogas do Complexo da Maré, Marcelo P., que estava foragido.

Calça jeans, camisa esporte e sem segurança por perto, o delegado da Polícia Federal e secretário de Segurança Pública do Rio falou sobre o Rio, o Brasil e a Copa do Mundo e indicou como outros estados ou países devem encarar o problema inicial da segurança.

A seguir a entrevista: 

 O Brasil vai estar seguro na Copa do Mundo?

Não tenha dúvida. Já temos um plano todo feito, toda uma programação organizada. O que se está fazendo no Brasil em termos de combate ao crime, e em relação à UPP é outra atividade que não tem nada com a questão turística. (Existe um plano) para o caso do Maracanã e onde as delegações vão estar instaladas e principalmente onde o turistas vão estar concentrados.
– O Exército foi novamente chamado para participar de uma operação no Rio, no complexo da Maré. Vai chegar o momento em que o Exército não será mais chamado?

Eu não posso dar essa garantia, sinceramente, porque o Rio de Janeiro tem ainda áreas que são muito difíceis e a gente sempre pede esse auxilio e eu particularmente não tenho pudor nenhum de pedir esse apoio. Acho até que as pessoas tinham esse pudor de pedir apoio federal e acho que isso pode ter contribuído muito para essa situação hoje do Rio de janeiro. Então, se eles podem vir, adiantar esse processo para nós, ocupar uma área onde 140 mil pessoas moram enquanto vamos preparando nossos policiais para assumir aquele lugar. Então por que não? Não há que ter medo disso.

– E a Copa?

Meu compromisso não é com a Copa do Mundo não é com nada disso. Meu compromisso é com a população carioca. Até porque a Copa vem e vai embora e a população fica.

– Qual será o tema da sua palestra aqui em Buenos Aires?

Eu vou falar um pouco sobre a experiência do Rio de Janeiro e vou dar uma visão do que entendo dos temas que obrigatoriamente devem ser abordados por toda a América Latina para que a gente consiga dar uma resposta efetiva para a segurança pública.

– Uma ação conjunta.

O que sei é que hoje tenho a impressão de que estamos sempre agindo com a aplicação de analgésicos e o problema estrutural, o problema em si a gente não resolve. Não se trata somente das questões sociais, de cidadania, porque isso sem dúvida tem um peso enorme mas isso não nos diz respeito (como polícia).

São questões relativas às mudanças na ordem penal, pelo menos no Brasil, a questão da fronteira, dos menores de idade. No Brasil, a questão do crack, a questão dos presídios que não deixam de ser uma grande assembleia de bandidos. Estas questões precisam ser encaradas pela sociedade.

A sociedade precisa escolher que sistema prisional ela quer. Que sistema legal ela quer. E eu me sinto tranquilo de dizer isso porque nós, lá no Rio de Janeiro, temos resultados.  Nós temos resultados e estamos vendo quando as coisas não funcionam.

Por exemplo, nessa madrugada prenderam o chefe do tráfico (de drogas) da Maré (Marcelo Santos das Dores, o ‘Menor P’, apontado como chefe do tráfico em onze favelas do Rio)….

– Onde o Exército vai entrar…

Exatamente onde o Exército vai entrar. (Beltrame não quis dizer quando o Exercito entrará no local e indicou que a iniciativa está desvinculada da Copa do Mundo). Ele foi preso tendo uma infinidade de mandados de prisão. Um homem que saiu no regime semiaberto em 2007 e que simplesmente não voltou mais para a cadeia.

JUSTIÇA

– Ou seja que é um problema judicial?

– Sim, um problema judicial. E tenho a impressão que ninguém quer mexer nisso. A imprensa não mexe, os políticos não mexem, as pessoas não mexem, mas está aí. A polícia do Rio de Janeiro gastando uma energia imensa em cima de um trabalho (para capturar) uma pessoa que já era para estar presa e há muito tempo.

– Por que o senhor acha que isso acontece? Corrupção? Por quê que isso acontece?

Eu acho que efetivamente a sociedade precisa estabelecer de maneira clara que tipo de segurança pública ela quer. Que segurança pública ela quer para Buenos Aires, que segurança pública ela quer para o Rio de Janeiro para daqui a vinte anos. Porque o que eu percebo é que estamos dando grandes anestesias nos problemas. Mas tem toda a questão da cidadania que não entra e tem essas questões estruturais. Nós temos reincidência muito grande nos presídios. Isso significa que os presídios não recuperam (os que ali estão). Que o menor de idade hoje é um objeto usado pelo crime. Então, tem muita coisa que acontece e que a polícia poderia estar fora disso.

UPP

– O senhor acha que a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) é então só uma parte desse combate?

Exatamente. A UPP abriu uma janela de oportunidades para que as coisas aconteçam. Seja no âmbito da cidadania, seja no âmbito de obras públicas, seja no âmbito da reorganização urbana daquele local. Ninguém mexe com o controle vertical do aumento das favelas. Ninguém mexe com isso. E então é isso.

– O que o senhor diz é que a polícia não pode resolver a questão da segurança pública sozinha.

É assim, mais polícia, mais polícia e mais polícia. Porém, mais polícia, mais polícia não resolve o problema. As pessoas, na verdade, querem um policial pra chamar de seu.

– E isso é impossível?

Deve ser um conjunto. Mudar estruturas que permitam uma vida melhor para a juventude. No Rio de Janeiro, por exemplo, existem lugares sem esgoto, sem água e onde a luz é o que chamamos de ‘gato’ (clandestina). Tudo é tão clandestino que a pessoa acaba vivendo naquele lugar e se acostuma com o clandestino. E obviamente o crime, o tráfico de drogas vão para onde? Para onde o Estado não está.

ARGENTINA 

– Aqui na Argentina a segurança pública, junto com a inflação, passou a ser a principal preocupação dos argentinos. E vários políticos, governadores e prefeitos citam a UPP como exemplo especialmente para áreas mais carentes e com problemas na área de segurança como na Grande Buenos Aires. O senhor sugere a UPP como saída também para estes lugares?

Eu acho que a UPP é uma solução ‘made in Rio de Janeiro’. É uma solução para o Rio de Janeiro. Para quem tem uma configuração geográfica, como a que temos. Para quem tem uma existência de facções criminosas que ideologicamente se odeiam. Para quem já tem implantado nessas áreas, armamento, capacidade belicista importante. Eu acho que pode se tirar algumas coisas da UPP para se aplicar aqui e quem sabe alguma coisa daqui para que seja aplicada lá. Mas eu acho que o que se fez lá é uma coisa muito para o Rio de Janeiro porque no Rio existem requisitos que não se encontram no mundo e não só a criminalidade.

– A topografia

Exatamente, a topografia, um abandono total dos governos durante trinta, quarenta anos. O que fez com que o tráfico adquirisse uma cobertura muito grande e trouxesse armas de vários tipos e de vários lugares. Coisas que por onde eu falo e que por maior que seja o problema, ainda está se iniciando e é o momento para que alguns estados brasileiros e alguns países devem agir. E essas ações precisam de plano, logística. E os governos devem ter uma opção clara pela segurança pública. E eu acho que nenhum político sobe num palanque eleitoral sem falar em segurança em primeiro lugar.

– Este ano um suposto traficante colombiano foi morto por outro traficante colombiano, como disse a justiça, no parque de Palermo, em plena luz do dia, aqui em Buenos Aires. Surgiu uma polêmica sobre o papel da Argentina, se ela já é ou não produtora e não só país de trânsito da droga. (o ministro da Defesa, Agustín Rossi, disse que já era produtora). Então, que conselhos o senhor daria a um país que, em tese, está no início do problema com o tráfico de drogas?

Eu acho que nós não somos produtores de drogas. Essa droga vem de outros lugares. Nós não somos produtores de armas. As armas ilegais são americanas. E a sua munição também. Então, nós temos um problema.

 Fronteiras

Você vai à Europa, em qualquer lugar, e existe um controle muito rígido do controle migratório. Fronteiras, sim. Agora imagine isso no Brasil. O Brasil tem mais de nove mil quilômetros de fronteira marítima e 16 mil quilômetros de fronteira seca. E se os Estados Unidos que são uma potência têm dificuldades de controlar três mil quilômetros de fronteira com o México, imagina a gente que tem muito menos condições, condições financeiras. Agora prioritariamente os governos têm que deixar muito claro à sociedade que segurança pública é prioridade. Porque sem segurança pública não acontece nada. Os investimentos vão embora. As escolas perdem alunos.

SUGESTÃO

– E o que o senhor sugere para os outros países da América Latina, especialmente a Argentina?

O que eu sugiro para os outros países é que o problema seja de todos. Que as pessoas digam assim, o que eu posso fazer, como posso ajudar? Você pode ajudar pedindo mudanças legislativas. Pode ajudar fazendo um esforço para dizer que a política pública dentro daqueles lugares não está chegando. De que está havendo a retirada das crianças das escolas porque estão com medo do crime. Eu acho que o Rio de janeiro vai perder uma geração (até que as políticas de segurança sejam totalmente implementadas e outras ações conjuntas). Não tenha dúvida.

Não vamos consertar o descaso de quarenta anos em dez anos. Mas hoje o Rio de Janeiro tem um rumo, ele sabe onde quer chegar. A sociedade tem que ter resultados concretos, objetivos transparentes e mensuráveis para que ela possa ver onde quer chegar. O que se quer da segurança? Onde se pode chegar com a segurança? É preciso um plano…

– Longo prazo

E que as pessoas possam medir esse plano, que o tenham claro.

– O senhor passou a ser citado por prefeitos de Buenos Aires que dizem que o respeitam pelo seu trabalho no Rio …

Meu respeito é sempre com a população. Quando me dizem isso sinto responsabilidade muito grande porque tenho medo de desiludir essas pessoas. Não vou desiludir essas pessoas. E vou continuar fazendo de tudo para continuar sendo respeitado. Mas que os efeitos venham realmente através de resultados.

 
 

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DO EL PAÍS: O Exército brasileiro ocupará a principal fortaleza do tráfico


O Exército brasileiro e a Força Nacional irromperão nos próximo dias no complexo de favelas de Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, onde as principais facões do narcotráfico carioca se fortalecerem depois da perda de outras favelas estratégicas que foram ocupadas nos últimos anos por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). A decisão, selada pelo Governador do Rio, Sergio Cabral, pelo ministro de Justiça, José Eduardo Cardozo, e pelo Chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, o General José Carlos de Nardi, significa um golpe histórico às facções dos narcotraficantes, cada dia mais asfixiadas, embora também evidencie a incapacidade da polícia carioca para controlar os movimentos dos criminosos a menos de três meses da Copa do Mundo. O Exército permanecerá no Complexo da Maré pelo menos até concluir a Copa. Posteriormente, um contingente de 1.500 policiais pacificadores deverão ocupar o território indefinidamente.

A Maré é o último grande bastião do narcotráfico que resta a ocupar na periferia mais próxima do Rio. O Complexo do Alemão foi ocupado em novembro de 2010 e o do Cajú começou a ficar sob o controle da polícia há um ano. Há alguns dias também começaram as incursões no Complexo de Costa Barros que, embora mais afastado, também se tornou refúgio de relevantes narcotraficantes expulsos de outras favelas. Não deixa de surpreender que, diante da onda de ataques à polícia em outras zonas, Cabral aposte na ocupação de um novo complexo de 16 favelas com uma população superior aos 130.000 habitantes, perigosíssimo e localizado em uma zona estratégica, já que está delimitado por uma estrada que liga o aeroporto internacional Antonio Carlos Jobim à cidade e à outra artéria principal de acesso ao Rio, a Avenida Brasil. O Complexo da Maré representa o vespeiro que o Estado do Rio não teve coragem de atingir até agora, tanto por sua extensão e complexidade urbanística, como pela alta concentração de narcotraficantes e a cumplicidade que estes cultivam há décadas com um amplo setor da população local. De um ponto de vista puramente tático, ocupar este enorme subúrbio é uma das operações de maior tensão bélica lançadas pelo Estado do Rio.

Não se sabe o número de efetivos militares nem as equipes que intervirão na operação, embora se espere que os fuzileiros navais e as brigadas paraquedistas tenham um papel importante, seguindo o modelo da ocupação do Complexo do Alemão, no qual intervieram 11.000 efetivos, entre comandos de operações especiais, policiais militares, civis e federais e batalhões do Exército. Também não se sabe se a ocupação da Maré será acompanhada de intervenções paralelas em outras favelas, como algumas do Complexo do Alemão, Manguinhos ou Rocinha, onde as UPP’s estão submetidas ao constrangimento de grupos de narcotraficantes que ganharam terreno nos últimos meses. Nestas favelas registrou-se nos últimos meses o grosso dos ataques a destacamentos pacificadores, o último na semana passada.

Segundo fontes da inteligência, os líderes de uma das principais facções do Rio, Comando Vermelho (CV), decidiram iniciar uma série de ataques coordenados contra as unidades pacificadores como reação desesperada a sua expulsão de inumeráveis favelas. Segundo a versão de alguns veículos brasileiros, o enfraquecimento progressivo das redes do narcotráfico carioca teria provocado a principal facção criminosa de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital (PCC), a dar cobertura pela primeira vez a seus pares no Rio com o envio de armamento e droga.

 
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Publicado por em 24 de março de 2014 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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JB – Especialistas comentam jogo político de Eduardo Paes com garis


Prefeito terá que ajustar orçamento e pode ter que enfrentar greves de outras categorias

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, declarou no sábado (08/03), após o anúncio do reajuste de 37% do salário dos garis, que a prefeitura teria que se empenhar para promover um ajuste no orçamento e garantir o recurso. “Não sabemos como, mas a prefeitura vai fazer o esforço necessário”, disse. O mais provável, como reforçam especialistas no assunto, é que investimentos previstos sejam cortados. Mesmo assim, existe a possibilidade desses cortes não serem suficientes. Pior, outras categorias de servidores do município veem na vitória dos garis a chance de também conseguirem antigas reivindicações ainda neste ano. “Como dar o reajuste e preservar a Lei de Responsabilidade Fiscal?”, questiona o professor da Unicamp Francisco Lopreato sobre a possibilidade de novas manifestações de servidores do município.

O prefeito tentou evitar o movimento que pode surgir em breve. No sábado de manhã, disse enfaticamente que a Prefeitura não teria de onde tirar dinheiro, que se dependesse dele os garis ganhariam R$ 5 mil, mas que verba mesmo, não tinha. Com a importância do trabalho destes servidores e os efeitos da paralisação, junto com a repercussão no Brasil e no mundo, o prefeito cedeu. O impacto do reajuste na folha de pagamento anual da Comlurb é de R$ 400 milhões, passando dos atuais R$ 700 milhões para algo superior a R$ 1 bilhão, próximo ao orçamento geral deste ano da Companhia de Limpeza, que é de R$ 1,4 bilhão.

O impacto do reajuste no orçamento é grande, ressaltam especialistas. E os médicos do município, por exemplo, já planejam uma grande movimentação por um reajuste nos salários, conforme informou o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, ao JB. “A falta de diálogo e a omissão da prefeitura acabaram gerando uma atitude radical dos garis. Isso abre os olhos da população e desmascara o governo. O movimento dos garis acabou intensificando outros movimentos”.

Trata-se de uma briga política entre servidores públicos e o chefe da administração, traduz Francisco Lopreato, docente da Unicamp e revisor de periódico da Economia e Sociedade. “A partir do momento que os garis conseguiram esse aumento, que é muito significativo, isso vai certamente levar outras categorias a buscarem um reajuste também, vai gerar uma disputa de diferentes setores de trabalhadores da prefeitura, de não quererem ficar para trás. O prefeito sabe disso. Ele sabe que a grande questão não é o problemas dos garis. Esta categoria não é tão pesada, mas tem outras, então ele vai se ver em maus lençóis”.

Lopreato comenta que o orçamento anual tem limite, mas há possibilidade de remanejamento, para ficar dentro do limite estabelecido. O Paes certamente está pensando nisso, reforça, principalmente em ano de Copa e com a proximidade das Olimpíadas na cidade. “Na primeiro briga, ele diz que não cabe [o reajuste], depois aparece. Aparece como? Não tinha? Provavelmente não tinha numa rubrica, e ele vai ser obrigado a fazer algum remanejamento”.

O reajuste oferecido aos garis surpreendeu todo mundo, e muito, acredita Lopreato, e com isso, o prefeito acabou comprando uma briga com outras categorias. Embora o salário dos garis seja muito baixo. “Os médicos vão reivindicar em seguida, eles ganham muito pouco realmente, e acabam arrumando outras soluções. O Paes vai ter que se virar. Como dar reajuste e preservar o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Leonardo Pessoa, jurista especializado em contas públicas, professor de Direito na FGV/RJ e no Ibmec RJ, ajuda a explicar as engrenagens do Orçamento Público. A Comlurb é uma empresa pública e tem orçamento próprio. Só que, quando suas necessidades ultrapassam o valor deste orçamento, sua sócia, que é a prefeitura, tem que passar um aporte.

“Certamente, isso vai ter um impacto. Pode ser que falte dinheiro para gasolina, manutenção dos caminhões da Comlurb”, comentou. Para que isso não ocorra, acrescenta, a prefeitura tem que aportar capital e evitar que a qualidade do serviço seja afetada. Como se trata de um ente público, precisa levar em conta um conjunto de leis orçamentárias, como o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) – que fazem todo o programa de despesas e receitas do município. Todo o orçamento da Comlurb, então, já está previsto nessas três leis.

A prefeitura, então, realiza um aporte de capital através de um crédito adicional, previsto na lei N.° 4.320, que prevê, como explica Leonardo, as modalidades que podem ser implementadas pelo governante, como a necessidade de aprovação de alterações na lei orçamentária para a Câmara Municipal. O governante, portanto, calcula o que pode ser modificado no orçamento, que investimentos podem ser cancelados.

“Poderia ser questionado na justiça se o aumento é razoável, até mesmo pelo Ministério Público. A prefeitura fez o acordo no Tribunal Regional do Trabalho, então teve uma justificativa legal, jurídica”.

Leonardo ressalta a característica dos orçamentos anuais, tanto de entes públicos como o dos privados, de oferecer um equilíbrio entre receitas e despesas, como se estas fossem justificadas por aquelas, por uma questão contábil. “Só que aquilo é uma ‘foto’ do momento. O governo, quando prevê que a Comlurb vai dispender determinado valor, é uma previsão. Ela pode gastar menos ou mais. É normal solicitar modificações no orçamento ao legislativo para acobertar novas despesas. Isso pode ser feito, desde que seja através da lei”.

Logo, existe a urgência de um realinhamento das contas municipais. Leonardo acredita que essa mudança já deve ter sido ordenada na prefeitura e que em breve o legislativo municipal deve receber uma mensagem. A questão agora é, o que será cortado. “O cobertor é curto”, alerta. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Casa Civil da Prefeitura do Rio para receber informações sobre o corte do orçamento, mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria.

Igor Mauler Santiago, membro da Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal da OAB, esclarece que o prefeito tem duas opções. Uma menos provável, que é tentar reforçar a captação de receitas, como cobrança de IPTU, que tem uma inadimplência significativa, ou então, mais provável, atuar no controle das despesas.

“Caso não haja sobra [com o esforço na captação das receitas], duvido que haja, ele vai ter que contingenciar algumas despesas que não sejam inevitáveis. Com folha de pagamento não pode mexer, então o corte deve afetar algum investimento, como a construção de bens públicos, asfaltamento de ruas, algum projeto novo que tivesse contemplado. Essa vai ser sempre a luta do administrador público, que tem que lidar com uma infinidade de necessidades públicas”, destacou Santiago.

Em relação ao jogo político entre prefeitura e servidores públicos, ele reforça que, ao falar que não havia recursos e depois liberar um aumento salarial tão expressivo, Eduardo Paes “não necessariamente faltou com a verdade”.

O JB também entrou em contato com o Tribunal de Contas do Município, para receber um posicionamento, mas o tribunal alegou que se trata de uma questão administrativa fora de sua alçada.

“Levando em conta a importância da limpeza pública, para a saúde pública, o bem-estar, a estética da cidade, mil variáveis, foi preciso uma solução rápida. A prefeitura teve que buscar dinheiro em algum lugar, seja prevendo um esforço de aumento de arrecadação ou abrindo mão de algumas despesas não essenciais. Outra especialidade seria busca de empréstimo público, mas, normalmente, não se fala em empréstimo para custear despesas como folha de pagamento”, enfatizou Santiago.

 
 

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Protesto na Rocinha fecha pista do Túnel Zuzu Angel, em São Conrado


Na madrugada desta terça-feira (4), uma manifestação de moradores da Rocinha, na Zona Sul do Rio, fechou a pista do Túnel Zuzu Angel, no sentido Barra da Tijuca. O protesto aconteceu após uma operação policial na comunidade. Moradores teriam colocado barricadas para bloquear a via.

Os manifestantes também jogaram pedaços de madeira com fogo na Autoestrada Lagoa-Barra. Por medida de segurança, a PM fechou o acesso ao túnel e montou um desvio pela Avenida Niemeyer. Após alguns minutos, o acesso foi novamente liberado aos motoristas.

 
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Publicado por em 4 de março de 2014 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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Casos de assassinatos crescem 16% no Rio em 2013


Flávia Villela – Repórter da Agência Brasil Edição: Beto Coura

O número de assassinatos no Rio cresceu 16,7% de 2012 para 2013, de acordo com o estudo Incidências Criminais e Administrativas da Segurança do Estado do Rio de Janeiro, divulgadas hoje (27) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

Os registros de assassinatos passaram de 4.081 para 4.761. Os casos de homicídio decorrentes de intervenção policial apresentaram redução de 0,7% no ano passado, ao cair de 419 em 2012 para 416 em 2013. Os estupros também caíram (-2,5%) e chegaram a 5.926 em 2013.

Os casos de latrocínio, o roubo seguido de morte, cresceram 2,8% (142 para 146) e os de lesão corporal seguida de morte aumento de 17 casos em 2013, com 41 registros. Segundo o estudo, a apreensão de crianças e adolescentes sofreu aumento de 43,2% em 2013 em relação a 2012. Subiu de 5.042 para 7.222 apreensões.

Houve também aumento no número de mandados de prisão (7,6%) e de prisões (21,4%) que chegaram a 29.810 em 2013. A pesquisa apontou crescimento de 28% na apreensão de drogas e de 10% de armas recolhidas pela polícia. O número de furtos caiu 4,4% em 2013 na comparação com o ano imediatamente anterior.

 
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Publicado por em 27 de fevereiro de 2014 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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GOVERNADOR DO RIO É CASADO COM HERDEIRA DE 47 EMPRESAS DE ÔNIBUS


Apresentação1.1 (6)

 
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Publicado por em 20 de junho de 2013 em Notícias e política, POLÍTICA

 

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PF prende no Rio homem procurado há mais de um ano pela Interpol


A Polícia Federal (PF) prendeu hoje (7), no Aeroporto Santos Dumont, no centro da capital fluminense, um homem identificado como Michael Misick, de 50 anos. Segundo a PF, ele é um dos foragidos internacionais mais procurados pela polícia das Ilhas Turks e Caicos, no Caribe.

Em nota, a Polícia Federal diz que o homem tentava embarcar para São Paulo, quando foi surpreendido por agentes da Interpol (a rede internacional de polícias), que investigavam o seu paradeiro há mais de um ano.

“Michael, um dos principais líderes políticos das Ilhas Turks e Caicos, foi acusado dos crimes de corrupção e formação de quadrilha”, diz a nota na Polícia Federal.

De acordo com a PF, o mandado de prisão do estrangeiro foi expedido pelo ministro Ricardo Lewandowsky, do Supremo Tribunal Federal (STF), no último 22, com base em pedido formulado pelo governo do Reino Unido. O homem foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal, no centro do Rio, onde presta depoimento.

 
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Publicado por em 7 de dezembro de 2012 em Notícias e política

 

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