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Arquivo da tag: MORTES

O ano passado foi o mais violento para os jornalistas no México desde 2007


O primeiro ano do governo de Enrique Peña Nieto, que assumiu o cargo em dezembro de 2012, é também o mais violento para a imprensa em sete anos. Os dados que da organização Artigo 19, que defende os direitos dos profissionais dos meios, são os piores desde 2007, quando o então presidente Felipe Calderón, iniciou sua cruzada contra o narcotráfico. Quase todos os dias, a cada 26,5 horas exatamente, um jornalista é agredido no México. Durante 2013, a organização Artigo 19, registrou 330 agressões contra repórteres, trabalhadores da imprensa e instalações de meios de comunicação no país. As estatísticas revelam também que em 59,3% dos casos, o responsável pela ação violenta foi um servidor público público. Apesar do acréscimo dos ataques, no ano passado morreram cinco jornalistas, dois a menos que os sete de 2012.

Segundo o relatório “Discordar em Silêncio: violência contra a imprensa e criminalização do protesto, México 2013″ em relação a 2012, as agressões aumentaram 59%, com 123 casos mais.
Percentualmente, a cada 100 ataques, 85 são contra um repórter ou jornalista audiovisual; dez contra diretores; e os outros cinco contra colunistas, outros empregados de meios de comunicação e chargistas. Os atentados contra pessoas representaram 90% do total, e os 10% restantes foram ataques às instalações.

O relatório diz que em 274 (dos 330) casos foi possível identificar o agressor. Em 146 deles, o agressor foi um servidor público; em 49 uma organização social; em 39 o crime organizado; 30 um particular, e em dez, um partido político. Em outras palavras: seis em cada dez jornalistas agredidos foram atingidos por um servidor público.

Mesmo assim, em três dos quatro casos de jornalistas assassinados em 2013 se identificou o crime  organizado como principal responsável. O outro caso nunca foi esclarecido.

Enquanto o problema está centrado em entidades já identificadas do país –Veracruz, Chihuahua, Coahuila e Tamaulipas– , a Artigo 19assinala que as agressões documentadas permitem observar um “padrão de disseminação da violência para outros estados. As agressões à imprensa aumentaram na Cidade do México, Oaxaca, Michoacán, Guerrero, Tlaxcala, Baja California e Zacatecas”.

Merecem uma menção a parte Veracruz e a Cidade do México, destaca o relatório apresentado nesta terça-feira. Em Veracruz, dez jornalistas foram assassinados desde janeiro de 2011. O último caso, que o relatório não apresenta por já ser um caso de 2014, é o do repórter Gregorio Jiménez, sequestrado e assassinado na primeira quinzena do mês de fevereiro. Ao mesmo tempo, as agressões contra profissionais da imprensa cresceram dramaticamente, passando de três em 2012 para 14 em 2013. Por sua vez, na Cidade do México aumentaram os ataques e detenções contra jornalistas que cobriam protestos nas ruas. Em 2013 foram documentados um total de 34 agressões contra jornalistas na capital do país, o maior número desde 2007. Tal foi o caso da marcha do dia 2 de outubro passado, que comemora a matança de Tlatelolco em 1968.

No trabalho exposto pela organização Artigo 19 foi concluído que em nenhum dos casos documentados os profissionais puderam retomar 100% de suas atividades jornalísticas. “O medo de sofrer novas agressões sem proteção do Estado os levou a modificar sua atividade profissional. Em alguns casos, deixaram de cobrir acontecimentos policiais, se autocensuraram ou diretamente fecharam os veículos”.

Isso foi o que aconteceu com o portal Ojinaga Noticias depois do assassinato de Jaime González, seu diretor, no dia 3 de março de 2013, morto com 18 disparos. “Tomei a decisão de fechar o portal”, disse o editor do site, “tinha muito medo das consequências que poderiam ter contra a minha pessoa. Meu nome não é conhecido. Eliminei todas as publicações do Facebook que me vinculavam”, diz o relatório. No caso do El Piñero da Cuenca, que tem sede em Loma Bonita, Oaxaca, região partilhada com Veracruz, optaram pela autocensura. Roberto Hernández, diretor do jornal, preferiu deixar de publicar informação sobre o governador veracruzano Javier Duarte depois de uma série de agressões e ameaças contra os sócios do jornal. “Fomos sentenciados. Não podíamos entrar e vender o jornal. Encontramos a maneira de voltar quando deixamos de falar sobre o governador”, afirma Hernández em uma entrevista publicada no documento. Junto com o recente caso de Gregorio Jiménez, o assassinato de Regina Martínez, em abril de 2012, continua muito presente na memória coletiva do meio jornalístico. A correspondente do semanário Proceso apareceu no banheiro da sua casa estrangulada.

A publicação do relatório foi precedida pela denúncia da organização, nesta segunda-feira, a respeito da invasão à casa do diretor da Artigo 19 para o México e América Central, Darío Ramírez. A promotoria pesquisa se a invasão, em que foram levados documentos de trabalho, computadores e objetos de valor, está relacionada ao trabalho na ONG.

No México, desde 2007 foram assassinados 50 jornalistas. Em 29 casos o autor do crime não foi identificado, em 20 se tratou do crime organizado e, em apenas um homicídio foi atribuído a um servidor público.

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Publicado por em 18 de março de 2014 em Notícias e política

 

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BRASIL NUNCA MAIS NA INTEGRA. PROJETO COM SENTENÇAS CONDENATÓRIAS NAS AUDITORIAS MILITARES


O LINK PARA ESTE MATERIAL FOI-ME DISPONIBILIZADO NO FACEBOOK POR CECÍLIA COIMBRA, SENDO-ME SUGERIDO POR MARTA VIVEIROS DE CASTRO. OS APONTAMENTOS A SEGUIR FORAM RETIRADOS DA PÁGINA DE INTERNET “DOCUMENTOS REVELADOS”  http://www.documentosrevelados.com.br/depoimentos-torturas-denuncias-ditadura/brasil-nunca-mais-na-integra-projeto-com-sentencas-condenatorias-mas-auditorias-militares/

São 900.000 páginas, possibilitando o conhecimento da quantidade total de sentenças condenatórias proferidas nas Auditorias Militares.

logo-brasil-nunca-mais-digital-3 (1) TAMBÉM DISPONÍVEL O LIVRO BRASIL NUNCA MAIS NA INTEGRA

ACESSE CLICANDO NOS LINKS ABAIXO DO TEXTO

Um grupo de especialistas dedicou-se durante 8 anos a reunir cópias de mais de 700 processos políticos que tramitaram pela Justiça Militar, entre abril de 64 e março de 79. O resumo desta pesquisa está neste livro. Um relato doloroso da repressão e tortura que se abateram sobre o Brasil.

Os advogados, entre os quais a advogada Eny Raimundo Moreira e a equipe do escritório do advogado Sobral Pinto, perceberam que os processos relacionados a presos políticos poderiam ser reproduzidos, aproveitando-se do prazo de 24 horas facultado pelo Tribunal para a     ACESSE DIRETAMENTE A PÁGINA CLICANDO AQUÍ custódia provisória de autos. Copiaram os documentos um a um em total sigilo. Era nitroglicerina pura: havia uma das únicas fontes capazes de reproduzir o que ocorrera nos cárceres e locais de tortura: as denúncias feitas por parte dos presos políticos, detalhando as violências que tinham sofrido. A qualquer momento, aquela papelada valiosa poderia desaparecer, ainda mais na hipótese cada vez mais próxima de redemocratização.

A ideia foi acolhida pelo Reverendo da Igreja Presbiteri

ana Jaime Wright e pelo cardeal de São Paulo,Dom Paulo Evaristo Arns, que conseguiram os recursos necessários junto ao Conselho Mundial de Igrejas. Alugaram uma sala comercial em Brasília próxima ao Superior Tribunal Militar e três máquinas copiadoras e contrataram alguns estagiários. Dali, as cópias seguiam para São Paulo, inicialmente em ônibus, aviões de carreira e automóveis, onde foi tudo microfilmado. Foram seis anos de trabalho até reproduzirem documentos de 707 processos judiciais. No total, 1 milhão de cópias em papel e 543 rolos de microfilmes.

O primeiro produto foi um documento-mãe, o Projeto A, com a análise e a catalogação das informações constantes dos autos dos processos judiciais em 6.891 páginas divididas em 12 volumes. Nessa etapa, os pesquisadores identificaram quantos presos passaram pelos tribunais militares, foram formalmente acusados, presos, torturados e quantas pessoas tinham desaparecido. Também foram catalogadas as modalidades de mais praticadas, a localização dos centros de detenção e os nomes dos médicos que davam plantão junto aos porões, bem como agente identificados pelos presos políticos.

Para tornar o conteúdo mais acessível, Dom Paulo imaginou o Projeto B, um resumo do Projeto A em um espaço 95% menor, tarefa a cargo dos jornalistas Ricardo Kotscho e Carlos Alberto Libânio Christo (Frei Betto), coordenados por Paulo de Tarso Vannuchi. O material acabou publicado no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, saiu pela Editora Vozes (vinculada à Igreja Católica) sob o título de Brasil: Nunca Mais.

Toda a documentação do projeto, foi doada para a Universidade Estadual de Campinas, a instituição aceitou a documentação, com a promessa de disponibilizar amplamente o material para consulta e permitir sua reprodução. Vinte e cinco cópias do Projeto A, encadernadas em capa dura, preta com letras douradas foram entregues a universidades, bibliotecas e centros de documentação de entidades dedicadas à defesa dos direitos humanos no Brasil no exterior

Brasil Nunca Mais (1)

http://pt.scribd.com/doc/93566594

Tomo Vi Vol 2 Invent a Rio Dos Ane

tomo_v_vol_4_os_mortos

Tomo III Perfil Dos Atingidos

Tomo v Vol 3 as Torturas

Tomo v Vol 2 as Torturas

Tomo v Vol 1 a Tortura

Tomo IV as Leis Repressivas

tomo_ii_vol_3_os_funcionarios

Tomo II Vol 1 a Pesquisa Bnm

tomo_ii__vol_2_os_atingidos

 
 

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Ipea revela dados inéditos sobre violência contra a mulher


Estudo preliminar do Ipea estima que, entre 2009 e 2011, o Brasil registrou 16,9 mil feminicídios, ou seja, “mortes de mulheres por conflito de gênero”, especialmente em casos de agressão perpetrada por parceiros íntimos. Esse número indica uma taxa de 5,8 casos para cada grupo de 100 mil mulheres.

De acordo com os dados do documento, o Espirito Santo é o estado brasileiro com a maior taxa de feminicídios, 11,24 a cada 100 mil, seguido por Bahia (9,08) e Alagoas (8,84). A região com as piores taxas é o Nordeste, que apresentou 6,9 casos a cada 100 mil mulheres, no período analisado.

A pesquisa Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil, coordenada pela técnica de Planejamento e
Pesquisa do Instituto Leila Posenato Garcia, foi apresentada na Comissão de Seguridade Social da Câmara
dos Deputados.

De acordo com os dados do documento, o Espirito Santo é o estado brasileiro com a maior taxa de
feminicídios, 11,24 a cada 100 mil, seguido por Bahia (9,08) e Alagoas (8,84). A região com as piores
taxas é o Nordeste, que apresentou 6,9 casos a cada 100 mil mulheres, no período analisado.

Realizada com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, a
pesquisa inova em relação a estudos anteriores por incorporar duas etapas de correção, visando minimizar
a subestimação dos feminicídios.

Lei Maria da Penha
Além dos números e taxas de feminicídios nos estados e regiões do Brasil, foi realizada uma avaliação do
impacto da Lei Maria da Penha. Constatou-se que não houve influência capaz de reduzir o número de
mortes, pois as taxas permaneceram estáveis antes e depois da vigência da nova lei.

“Observou-se sutil decréscimo da taxa no ano de 2007, imediatamente após a vigência da lei, e, nos
últimos anos, o retorno desses valores aos patamares registrados no início do período”, afirma o texto.

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RELATÓRIO IPEA COMPLETO

A presença da mulher no mercado de trabalho

O Dieese, a Fundação Seade e os parceiros regionais divulgaram boletins sobre a participação da mulher
nos mercados de trabalho em sete áreas pesquisadas pelo Sistema PED (seis regiões metropolitanas e ABC
paulista). Os trabalhos marcam o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. Os dados pesquisados se
referem a 2013.

Confira o estudo de acordo com cada localidade:

Região Metropolitana de Belo Horizonte;
Região Metropolitana de Fortaleza;
Região Metropolitana de Porto Alegre
Região Metropolitana do Recife;
Região Metropolitana de Salvador;
Região Metropolitana de São Paulo;
Distrito Federal;
região do abc.

*Fonte: Dieese.

 
 

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ONGs denunciam nas Nações Unidas mortes no Complexo de Pedrinhas


Representantes das organizações não governamentais (ONGs) Justiça Global, Conectas e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos fizeram um pronunciamento hoje (10), no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), denunciando os casos de mortes e de outras violações de direitos humanos ocorridos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, no Maranhão.

A advogada da Conectas, Vivian Calderoni, fez um relato sobre os casos de morte e decapitações dizendo que a situação continua crítica no local. “A resposta dada pelo governo foi militarizar o presídio”, afirmou Vivian, que está em Genebra, na Suíça. Ela citou ainda a existência de um vídeo que mostra a Polícia Militar disparando balas de borracha nas costas de presos nus, enfileirados contra a parede.,

Ela disse ainda que as cenas de horror não são exclusividade de Pedrinhas e falou das mazelas do sistema prisional brasileiro. Vivian destacou os problemas de falta de alimentação adequada e água nas prisões brasileiras, além da superlotação e das dificuldades de acesso a emprego, saúde e educação.

Representantes das ONGs pediram a visita do relator especial das Nações Unidas sobre a tortura, Juan Méndez, ao Complexo de Pedrinhas.

No dia 1º de março, mais um detento foi morto no interior do maior estabelecimento prisional maranhense, elevando para quatro o número de mortos em Pedrinhas desde o início do ano. Com isso, levando-se em conta os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), chega a 64 o total de detentos assassinados em Pedrinhas desde o início de 2013.

Desde meados de dezembro do ano passado, quando uma rebelião deixou nove mortos e ao menos 20 feridos, policiais militares reforçam a segurança do complexo penitenciário. A pedido do governo estadual, homens da Força Nacional de Segurança Pública também auxiliam na segurança dos estabelecimentos prisionais da região metropolitana de São Luís, entre eles, o de Pedrinhas.

FONTE: EBC Ana Cristina Campos – Agência Brasil Editor: Lílian Beraldo

 
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Publicado por em 11 de março de 2014 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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EL PAÍS: Polícia brasileira mata cinco pessoas a cada dia


Para especialista, letalidade é alta porque policial é treinado para ser um herói

AFONSO BENITES

A cada dia, cinco pessoas são assassinadas pela polícia brasileira. O número, que se refere ao ano de 2012, é 4,6 vezes superior ao dos Estados Unidos. Naquele ano, 1.890 pessoas foram assassinadas no Brasil e 410 nos EUA. As informações foram levantadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma ONG que anualmente compila os dados estaduais e traça um perfil da violência pelas 27 Unidades da Federação.

Apesar dos dados serem um tanto antigos, o ano de 2013 parece que não deve apresentar uma melhora tão significativa no cenário nacional. Uma breve análise sob as informações disponíveis em três dos cinco Estados mais populosos do país (São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul) mostra que a retração não foi tão grande no ano passado.

As informações disponibilizadas pelas secretarias de Segurança Pública desses três Estados mostram que seus policiais matam, juntos, duas pessoas em média por dia. Esses dados que se referem a supostos confrontos entre criminosos e policiais, mas ele ainda está distante da realidade. Isso porque algumas investigações ainda estão em andamento, como o do caso de um jovem em Limeira (interior de São Paulo) que foi encontrado morto após ter sido preso, algemado e colocado dentro de um carro da PM. Esse óbito não entrou para a estatística de mortos por policiais.

Em São Paulo, o Estado mais populoso do Brasil, apresentou uma diminuição das mortes cometidas por policiais militares. O ano passado registrou a menor letalidade da PM em 15 anos. Ainda assim, a polícia local responde por 7,5% de todos os assassinatos do Estado. No Rio, esse índice é de 8,7% e no Rio Grande do Sul, de 3,1%.

Em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, três dos cinco Estados mais populosos do Brasil, duas pessoas são mortas por dia por policiais

Para o sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, José Vicente Tavares dos Santos, esse índice ainda é alto porque a cultura policial é de que esse agente de segurança precisa ser um herói. Autor de estudos que analisam o treinamento policial, Santos é categórico em afirmar que é necessário mudar o ensino desses profissionais, caso contrário, a letalidade policial não se reduzirá tão cedo.

“Em todas as academias de polícia em que estive pude perceber que o policial é preparado para atirar no coração do agressor. Não há uma preocupação de trabalhar o tiro defensivo ou de não usar armas letais como há na Inglaterra, por exemplo”, afirmou o especialista.

Tânia Pinc, doutora em ciência política e major da reserva da PM, vai mais ou menos na mesma linha e diz que o problema da letalidade policial é exatamente a falta de treinamento. Ainda assim, segundo ela, é preciso analisar cada caso de morte provocada por um policial. “Temos a tendência de tratar a letalidade como uma ilegalidade. Nem todos os resultados letais são intencionais. Eles estão relacionados à falta de preparo. A maioria dos policiais não quer matar, mas, sob forte stress ele acaba usando a arma de fogo e matando. Ao invés de ser um instrumento de proteção da sociedade a arma acaba se tornando um objeto de defesa pessoal ”, avaliou a especialista que foi oficial na polícia por 25 anos.

A cultura do heroísmo citada pelo sociólogo Santos não está apenas dentro da polícia. No Judiciário ainda é possível encontrar incentivadores dessa violência. Em setembro de 2011, por exemplo, uma reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que um promotor reclamava que um dos policiais conseguiu matar só um dos criminosos que atirou contra ele. Dizia o promotor: “Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer. Lamento, todavia, que tenha sido apenas um dos rapinantes enviado para o inferno. Fica aqui o conselho para [o policial] Marcos Antônio: melhore sua mira…”

Ainda hoje, a maneira mais comum de se medir a violência policial é analisar quantas pessoas foram mortas pelos agentes. Isso porque ainda não é possível aferir quantas foram vítimas de agressões gratuitas, como o motorista que foi parado porque passou na frente de uma moto de um PM, do jornalista que filmou uma abordagem e questionou a ação, da mulher que brigou porque um conhecido seu estava sendo preso e por aí vai. Basta fazer uma breve pesquisa na internet para encontrar dezenas de exemplos de atitudes incomuns de policiais.

Esses casos são classificados pela cientista política Pinc como “ações abusivas invisíveis”. “Para se combater isso seria preciso ter um maior controle do policial. As denúncias feitas sobre esses abusos deveriam ser isentas e quem tiver a culpa ser punido. Mas, infelizmente, ainda temos poucos casos de punições, o que desestimula a denúncia e faz com que os casos continuem acontecendo” , ponderou.

Em todas as academias de polícia em que estive pude perceber que o policial é preparado para atirar no coração do agressor

José Vicente Tavares dos Santos, sociólogo e pesquisador

A preocupação dos especialistas é que essa agressividade extrapole para momentos em que ela não é nem um pouco necessária como para conter manifestantes que não estão cometendo nenhum delito, como ocorreu nos últimos protestos contra a Copa do Mundo na capital paulista. “Temos que aproveitar esse momento de comoção social, essa série de protestos para rediscutir nossa polícia. O ideal é acabar com a PM? Eu acho que não. Deveríamos democratizá-la e reduzir algumas regras internas que são prejudiciais a ela”, disse o professor Santos.

Policiais vítimas

Algo que não dá para negar é que, ao mesmo tempo em que são autores de homicídios (ainda que em confrontos) os policiais têm sido vítimas em várias ocasiões. Em 2012, ao menos uma centena de policiais militares da ativa e aposentados foram assassinados em São Paulo em uma onda de violência que foi tratada como uma reação do crime organizado contra o fechamento de pontos de venda de drogas. Desde então, a tensão na tropa cresceu.

Você tem de entender meu mundo. A todo momento eu acho que vou morrer. Não posso falar um ‘por favor’ ou um ‘muito obrigado’ para uma pessoa que pode estar querendo me matar

Policial militar após uma abordagem

Em um dos artigos publicados no“Anuário Brasileiro de Segurança Pública” , as pesquisadoras da Fundação Oswaldo Cruz Edinilsa de Souza e Maria Cecília Minayo reforçam que “enquanto a sociedade reclama da letalidade produzida por eles contra a população, os policiais também estão morrendo violentamente em elevadas proporções”. No ano de 2012, por exemplo, 23 das 27 Unidades da Federação informaram que tiveram policiais assassinados durante o serviço ou nos horários de sua folga.

Para essas duas pesquisadoras, há diversas razões para que eles sejam vítimas de homicídio. Eis algumas delas : a negação do perigo por considerar que medo, ansiedade e choro são manifestações de fraqueza e devem ser reprimidas, além do sentimento de urgência da vida, como se houvesse sobre eles uma “sentença de morte” antecipada.

De fato, ao acompanhar uma recente abordagem policial de um homem na região central de São Paulo, a reportagem do EL PAÍS questionou por qual razão o PM havia sido tão agressivo ao abordar um cidadão que, sem querer, passou o carro na frente da moto do agente. A resposta do PM: “Você tem de entender meu mundo. A todo momento eu acho que vou morrer. Não posso falar um ‘por favor’ ou um ‘muito obrigado’ para uma pessoa que pode estar querendo me matar. Primeiro sou duro. Depois relaxo”.

Ao que parece, o que ainda prevalece é aquela velha tese reproduzida nos filmes de bang-bang: atira primeiro, pergunta depois.

“Bandido que mexe com polícia acaba assim”

José Guilherme da Silva morreu com um tiro na cabeça logo após ser preso e algemado em um camburão da PM. Sua morte foi registrada como suicídio, mas sua família contesta a versão oficial

“Antes ver a senhora chorando do que ver a minha mãe. Bandido que mexe com polícia acaba assim”. A senhora, aqui no caso, é a dona-de-casa Cláudia Bertaioli da Silva, de 42 anos, que se deparou com o corpo de seu filho com um tiro na cabeça logo após ele ser preso, algemado e trancado em um camburão da PM na cidade de Limeira, no interior de São Paulo. A frase que ela ouviu no dia 14 de setembro do ano passado foi dita por um dos policiais que prendeu o servente de pedreiro José Guilherme da Silva, de 20 anos.

A morte de Silva foi registrada como suicídio, mas seus familiares questionam a informação oficial e dizem que foi executado pelos policiais que o prenderam.

O jovem foi detido ao entrar na contramão de uma rua com sua motocicleta, na qual estava com um amigo. Policiais do batalhão de trânsito o pararam e pediram seus documentos. Quando estavam fazendo a abordagem, chegou uma mensagem por meio da central da polícia informando que dois rapazes tinham acabado de cometer um assalto a um mercado e balear uma pessoa. Ao ouvirem o relato, os policiais perceberam que Silva e seu companheiro poderiam ser esses assaltantes. Passaram a revistá-los, algemaram os dois e começaram, segundo testemunhas, uma sessão de espancamento. Ambos foram jogados ao chão e receberam vários chutes no tórax e na cabeça.

Quando a mãe de Silva chegou ao local da prisão, ela viu a cena e pediu para pararem de bater no rapaz. Os policiais o revistaram novamente e o colocaram no camburão. O amigo dele foi posto em outro carro e ambos seriam levados até uma delegacia, onde ficariam detidos. “O tempo passou e não vi meu filho chegar na delegacia. O amigo dele chegou, mas ele não. Foi quando me disseram que ele tinha sido levado para o hospital. Fui para lá correndo”, afirmou Cláudia Bertaioli.

No hospital, a informação dada a ela foi que, mesmo trancado no camburão, algemado com as mãos para trás, o rapaz tinha se matado com um tiro na cabeça. “Era impossível ele ter se matado. Ele foi revistado várias vezes e não estava armado. Eu vi quando os policiais retiraram uma arma do banco de trás da viatura”, disse a mãe, desolada.

Como a Polícia Civil se negou a registrar a morte como homicídio, a própria família começou a investigar o caso. Desde então, os familiares se depararam com ao menos quatro pontos que podem esclarecer a morte do servente de pedreiro.

O primeiro ponto foi levantado pelo vereador Wilson Nunes Cerqueira, da Comissão de Direitos Humanos de Limeira, que está acompanhando o caso. “O tiro entrou do lado direito da cabeça e o Guilherme era destro. Seria impossível que a bala percorresse essa trajetória, já que ele estava algemado, com as mãos cruzadas para trás”, disse ele aoblog do jornalista Bruno Paes Manso.

A segunda questão foi o cômico laudo do perito que analisou o suposto suicídio de um homem algemado. Afirma o especialista no documento: “isso envolve um estudo personalíssimo da habilidade do agente que encontra-se algemado. E é sabido nos meios policiais tanto sobre a habilidade de movimento de alguns detidos, bem como sua condição pessoal de burlar a revista”.

A outra dúvida levantada foram os cinco meses de demora da entrega do projétil que teria atingido a vítima do supermercado. Essa bala pode provar se o tiro que atingiu a vítima de assalto partiu da mesma arma que matou Silva.

Por último, e não menos intrigante, foi o sumiço de trecho da gravação da conversa entre a central da PM e os policiais que estavam na viatura que transportava o rapaz. A maioria dos diálogos entre policiais com sua central é gravada e acaba sendo usada como prova no Judiciário. Neste caso, o arquivo entregue aos investigadores foi editado, conforme a família de Silva, e omite um dos trechos que poderia esclarecer se o rapaz conseguiu se matar algemado ou se foi cruelmente assassinado.

Desde que o caso foi revelado, pouco se avançou na apuração. Questionada sobre o assunto, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo enviou uma nota na qual diz que a Polícia Civil e a Corregedoria da PM farão uma investigação rigorosa sobre o episódio. A falha que resultou na morte de Silva, segundo o documento da secretaria, foi no procedimento adotado pelos policiais, que revistaram de maneira errada o jovem e não notaram que ele ainda teria uma arma. A nota diz ainda que um novo laudo de perícia deve ser elaborado e, de qualquer maneira, já é possível constatar que o tiro teria partido de uma distância aproximada de 50 centímetros, de baixo para cima. Ou seja, isso poderia, sim, configurar um suicídio.

“Não estou defendendo meu filho à toa. Ao que parece foi ele mesmo quem cometeu o assalto no mercado. Mas se ele já estava algemado, se já tinha sido preso, por qual razão ele seria assassinado? Ele deveria enfrentar um julgamento e pagar pelo seu erro na cadeia. Não pelas mãos de policiais dentro de um camburão”, desabafou Cláudia.

 
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Publicado por em 5 de março de 2014 em Notícias e política

 

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Maduro quer criar comissão da verdade para investigar mortes em protestos


Leandra Felipe – Correspondente da Agência Brasil/EBC Edição: Juliana Andrade 

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou hoje (24) que pedirá à Assembleia Nacional para criar uma comissão da verdade com o objetivo de investigar as mortes ocorridas nas duas últimas semanas, em meio aos protestos e às marchas que ocorreram no país. Ele informou que também convocará a oposição para participar da comissão. O governo contabiliza 11 mortes, embora a imprensa local registre 13.

“Com esta comissão, vamos investigar a fundo o que aconteceu durante este intento de golpe fascista e descobrir quem foram os autores dos assassinatos cometidos aqui”, disse a uma multidão de motociclistas em frente ao Palácio de Miraflores (sede do governo), em Caracas.

Na manifestação, os motociclistas pediram paz e a união do país, assim como expressaram repudio às ações violentas dos últimos dias. A direita venezuelana atribui a grupos motorizados (coletivos) socialistas que apoiam o governo Maduro a responsabilidade por disparos contra manifestantes e mortes nos protestos realizados desde o dia 12 de fevereiro.

Os motociclistas foram às ruas hoje para protestar contra a acusação e declarar apoio ao governo. Para os governistas, os motorizados que disparam contra manifestantes são grupos de extrema direita infiltrados.

Maduro disse que, além dos óbitos por disparos, pelo menos 30 pessoas morreram porque não puderam ser encaminhadas aos hospitais por causa das chamadas guarimbas (bloqueios de ruas e rodovias com lixo e entulhos) que manifestantes fizeram em diversas regiões do país.

O presidente Nicolás Maduro se reunirá nesta tarde com governadores no Conselho Federal de Governo. A presença de opositores como Henrique Capriles, governador do estado de Miranda, é esperada. No sábado (22), Capriles confirmou participação no encontro. Na reunião, Maduro deverá discutir a crise política e pedir apoio para a realização da Conferência Nacional de Paz, prevista para quarta-feira (26).

Ele também deve conversar sobre o carnaval, já que algumas prefeituras de oposição anunciaram que não vão promover a festa este ano, por causa das mortes ocorridas nas últimas semanas. Em Chacao, capital de Miranda, o prefeito opositor, Ramón Muchacho, chegou a anunciar em sua conta no Twitter que não organizará festividades. “Não estamos para celebrações”, escreveu. Posicionamentos semelhantes foram adotados em Maracaibo, no Sucre e em Barinas.

Entretanto, enquanto estava hoje com os motoqueiros, Maduro defendeu que as festividades ocorram normalmente.

 
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Publicado por em 5 de março de 2014 em Notícias e política

 

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ATENÇÃO!!! O TERROR CONTRA OS KAIOWÁS NÃO TEM FIM!


COMPARTILHEM!!!

Por Aty Guasu

Urgente- hoje 04/03/2014 às 19 horas, 250 comunidades Guarani Kaiowa do acampamento do PYELITO KUE FORAM ATACADAS PELOS PISTOLEIROS DAS FAZENDAS.

CINCO (5) barracas do Guarani Kaiowa do tekoha Pyelito kue-Iguatemi foram totalmente perfuradas pelas balas dos pistoleiros. “Aqui os pistoleiros estão nos atacando e atirando sobre as barracas” ligou e comunicou a liderança.

“Estamos correndo em diversas direções com as crianças e idosos (as) não sabemos se há feridos, muitos choros e gritaria no meio dos tiros”, informa comunidade Guarani Kaiowa do Pyelito kue.

Logo voltaremos com a nova informação do Pyelito kue-Iguatemi-MS

Fonte: https://www.facebook.com/AmazoniaBrasilBrasileiro

Foto: Divulgação/MPF

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