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LAVA JATO COMPLETOU DOIS ANOS. ESTATÍSTICAS DA OPERAÇÃO


A maior operação sobre corrupção conduzida até hoje na história do Brasil, aOperação Lava Jato, irá completar dois anos na próxima quinta-feira (17) e fechará o seu segundo ano com um balanço extremamente positivo junto à população brasileira, que aprendeu a respeitar e a confiar nos procedimentos jurídicos dos 21 procuradores responsáveis pela condução das investigações.

Até agora, 60 personalidades do cenário político e do meio empresarial foram condenados e outros 1.114 processos investigativos estão sendo estudados pelos procuradores da república.

Além do sucesso entre a população a operação serviu para fortalecer as instituições jurídicas brasileiras mostrando imparcialidade e seriedade na condução das investigações.

Confira os números da Operação Lava Jato nesses dois anos

  • 150 inquéritos abertos
  • 39 ações penais
  • 05 ações civis para devolução de recursos desviados
  • 494 empresas e pessoas sob investigação
  • 57 políticos investigados no STJ e no STF
  • 156 réus na Justiça Federal do estado do Paraná
  • 119 prisões preventivas ou temporárias
  • 28 presos
  • 67 condenados

As penas já somam quase mil anos.

Maior operação contra corrupção no país chega

a dois anos com R$ 6,4 bilhões desviados

em propinas.

Apresentação1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marcelo Odebrecht é condenado a 19 anos e 4 meses de prisão

Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 19 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e por integrar organização criminosa.

Na sentença, Moro determinou que Odebrecht, Faria e Araújo continuem presos enquanto aguardam os recursos. Para justificar a decisão, o magistrado considerou que há risco de continuidade e citou os indícios de pagamentos realizados por uma offshore atribuída à Odebrecht a uma conta secreta do marqueteiro do PT, João Santana, na Suíça.

Marcelo Odebrecht e outros três executivos do grupo foram considerados culpados por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa para obtenção de contratos que somam R$ 12,6 bilhões de parte das obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), da refinaria Abreu e Lima (Rnest, PE) e da refinaria Getúlio Vargas (Repar, PR).

O juiz também acolheu a alegação dos procuradores que houve corrupção na renegociação de um contrato de venda de nafta (insumo básico da indústria de plásticos) da Petrobras para a Braskem – braço petroquímico do grupo Odebrecht.

No caso da nafta, foi condenado o ex-executivo da Braskem e da Odebrecht Alexandrino Alencar por um ato de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele foi absolvido por falta de provas do crime de associação criminosa.

Veja as penas e crimes de cada condenado:

  • Marcelo Odebrecht (19 anos e 4 meses): corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa
  • Márcio Faria da Silva (10 anos): corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa
  • Rogério Santos de Araújo (10 anos): corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa
  • Cesar Ramos Rocha (8 anos, 10 meses e 20 dias): corrupção ativa e associação criminosa
  • Alexandrino de Salles Ramos de Alencar (7 anos e 6 meses): corrupção ativa e lavagem de dinheiro
  • Renato Duque (11 anos, 1 mês e 10 dias): corrupção passiva e lavagem de dinheiro
  • Pedro Barusco (11 anos, 1 mês e 10 dias): corrupção passiva e lavagem de dinheiro
  • Paulo Roberto Costa (11 anos, 1 mês e 10 dias): corrupção passiva e lavagem de dinheiro
  • Alberto Youssef (11 anos, 10 meses e 10 dias): corrupção passiva e lavagem de dinheiro
 

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NÃO FUI NEM VOU, NEM 13 NEM 15, IMPEACHMENT DO SISTEMA!


No final do segundo governo Lula, eu disse, e quase fui linchado, que estavam criando uma gigantesca bolha. Para demonstrar prosperidade e estabilidade, para atrair investimentos externos e sustentar, através de medidas populistas, criando currais eleitorais, um projeto de poder, deram isenções, anistias, fizeram programas sociais, habitacional etc às custas de um gigantesco déficit publico, 1 trilhão e 300 bilhões em 12 anos, coberto pelo tesouro nacional. Era certo prever a explosão dessa bolha e que o povo ia pagar a conta, como é certa a inflação e desvalorização do real frente ao dólar e euro. Essa é uma opinião minha baseando-me em dados divulgados.

Pelo exposto, a “culpa” da crise não é da Dilma, é do PT e seu projeto de poder, é do sistema que permite isso. Qualquer que assumisse o cargo teria que tomar as medidas adotadas. Então, qual a revolta? A revolta é que o PT ganhou com Lula, na primeira vez, com um discurso de mudar a forma de fazer política, que iam mudar o sistema e fizeram tudo igual.

A diferença de Dilma para Aécio é que este último assumiu que ia fazer, enquanto a primeira disse que “nem que a vaca tussa” faria, quase mata a vaca de pneumonia dupla, acabou mandando ela para o brejo.

Devemos nos preocupar é com uma profunda reforma no sistema, uma grande reforma política, mas não pela cartilha do PT e/ou PSDB, que são muito parecidas, mas reformas que realmente representem os anseios do povo e as necessidades do país.

Preocupa-me os discursos inflamados de Lula e Aécio, e outras lideranças menores, discursos de cisão e ódio, dividindo a população ao meio, colocando, cada um, a culpa de tudo no outro grupo, dizendo um que o país afunda por causa dos eleitores do PT, dizendo outro que o país está afundando por causa de uma articulação golpista do outro grupo..

Se ambos sabem que as medidas seriam de qualquer forma adotadas por quem ganhasse, porque tanta briga? Certamente não é pelo povo, é pelo poder e o controle financeiro das propinas, que já sabemos incluir ambos os partidos.

Esse discurso de ódio é fascista e perigoso, como qualquer forma de nacionalismo exacerbado, já está chegando ao ponto de usarem expressões como “colocar exército nas ruas” (ao invés de manifestantes), “porrada”, “guerra”, dentre outros. Chegamos ao ponto de ter visto postagens nas redes sociais sendo convocados para a manifestação do 15, lutadores de academias para “conter” o MST.

Esse discurso insuflado de raiva entre as partes vem dividindo o país desde a eleição, quando começaram ataques do sul e sudeste contra o norte e nordeste, tal forma de manifestação de lideranças é, no mínimo, irresponsável e criminosa. Lula se aproveita do povo para aparecer como o salvador da pátria e PETROBRÁS, bradando, quase parafraseando Getúlio, que “A PETROBRÁS É NOSSA”, já preparando sua campanha para 2018, quer aparecer como o líder que salvou o país da Direita golpista, como se o atual Governo do PT não trabalhasse em prol de latifundiários, agronegócio, banqueiros, empresários e multinacionais. Aécio, por sua vez, que o mesmo título, sob a alegação que salvou o país de uma revolução bolivariana e dos saqueadores do PT, como se o PSDB não estivesse comprometido com os mesmos grupos e “atolado até o pescoço” em escândalos e desvios de dinheiro público.

Interessante observação deve ser feita sobre o papel da Rede Globo. O PT acusa a emissora de estar querendo dar um golpe e que a PETROBRÁS seja privatizada. Em primeiro lugar esse petróleo não é nosso ha muito tempo, ilusão de quem acha que é, PSDB e PT já leiloaram os campos de perfuração para quem bem quis os explorar. Em segundo lugar, se a Globo quer dar um golpe e afundar a PETROBRÁS, porque a empresa continua anunciando na emissora? Por que motivo o PT ainda não executou os impostos devidos? Por que motivo o governo do PT renegociou a dívida da emissora com o Banco do Brasil? Grandes jogadas comerciais e políticas se escondem por trás disso tudo, as quais, talvez, nunca teremos acesso ou informação.

Enquanto manobram o povo, focam em manifestações pró e contra, o Congresso Nacional virou uma casa de Lordes, quase 50% de representantes milionários, que farão tudo pelo povo, menos sair das costas dele e parar de explorar, bem como nunca legislarão pelo povo. A bancada religiosa cresce e se fortalece, nada contra as religiões, aliás, tudo contra, nada contra a religiosidade, pois essas religiões são intolerantes, têm o mesmo discurso de cisão e ódios, são fundamentalistas. Leis já são propostas com fundamentos religiosos, estão tentando evangelizar as Leis, se o povo não focar em reformas do sistema, em reforma política, em breve corremos o risco de estarmos voltando à era da teocracia fundamentalista.

Temos que tomar cuidado, além de uma luta entre direita e esquerda, burgueses e proletários como tentam colocar os PTistas (embora a luta de classes exista, mas não da forma que tentam nos empurrar goela abaixo), corremos o risco de travarmos uma guerra religiosa entre o bem e o mal, entre os puros e impuros. A  “distinção dos puros e bons em meio à degeneração e ao caos, é exatamente o que nutre a violência do fascismo. Na perigosa dança entre fascismo e anti-fascismo é preciso, pois, ficar esperto e se movimentar sempre, para não se surpreender, de uma hora para outra, do lado errado”.(Rodrigo Guerón)

Por conta dos discursos inflamados e intolerâncias dos lados – sim, dos lados, o país está se dividindo – jornais estrangeiros, timidamente, já começam a publicar que o Brasil se encontra a beira de uma guerra civil.

Na guerra de lideranças, denúncias de ambas as partes, o país mergulhou em uma gigantesca onda de descrédito de suas instituições. Quando começam a falar nas listas de políticos envolvidos em escândalos, quando começam a falar nos crimes cometidos, me parece lista de chamada em presídio.

Nem 13, nem 15, impeachment do sistema. Vamos para as ruas sim, vamos exigir que todos os escândalos sejam investigados com transparência, que todos os culpados sejam presos, é inadmissível sabermos que o dinheiro foi parar até em conta de “bicheiro” e traficante internacional e ficarmos de braços cruzados. Vamos dizer não a todas as lideranças, políticas e sindicais, vamos para as ruas e nos sentarmos, cruzarmos os braços, vamos atacar esse sistema capitalista, essa política consumista que substituiu o ser pelo ter, onde é mais sensível, no bolso, vamos parar o país, vamos parar a produção até que mudem o sistema.

Vamos mudar esse país na marra, pois eles não vão fazer nada para mudar, somente querem o poder, é uma briga que mais se parece com uma disputa territorial por quadrilhas.

O poder é do povo, se não nos derem vamos tomá-lo.

 

 

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MÃOS LIMPAS JÁ!


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Publicado por em 5 de março de 2015 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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Corrupção da Fifa vai infectar o jogo todo, diz jornal inglês


“Como podemos confiar na Fifa se a Copa 2022 foi comprada?”, questiona The Telegraph

O que mais deprime na história toda de corrupção da Fifa é que as pessoas não ficam surpresas, diz matéria do jornal inglês The Telegraph, assinada por Jim White. Ele ressalta que o vice-presidente Jack Warner, que tinha a responsabilidade de decidir a sede da Copa do Mundo de 2022, parece ter recebido US$ 1,2 milhão de uma companhia do Qatar envolvida no processo de licitação – o que não gerou nenhuma grande surpresa. “É uma notícia que tem desanimado e irritado em igual medida. Mas surpreendeu? Não mesmo.”

A quem importariam essas informações?, poderia questionar o leitor do jornal inglês, que responde que os brasileiros têm grandes motivos para se importar com uma entidade “tão corrupta tendo tamanha influência sobre o bem-estar financeiro do país”. O jornal também ressalta o legado da Copa na África do Sul, de dívidas e elefantes brancos.

“Do momento em que o presidente da Fifa Sepp Blatter anunciou três anos atrás que o Qatar iria sediar o segundo mais importante evento esportivo mundial, todos que assistiam sabiam que deveria haver alguma razão por trás da mais absurda decisão que a entidade já tomou, uma decisão que, quando filtrada pelas lentes normais da lógica, não faz absolutamente nenhum sentido. (…) Agora temos a certeza que tudo era questão de dinheiro. Simplesmente, a Copa do Mundo foi comprada”, diz a matéria.

Para o jornal, é difícil imaginar uma sede menos apropriada que o Qatar para receber a Copa do Mundo, país sem “nenhuma herança do futebol” e que teria que construir todos os 16 estádios do zero. “Apesar de sentirmos o fedor de corrupção, descobrir que todos aqueles pobres trabalhadores nepaleses foram expostos ao perigo, que a saúde dos maiores jogadores está para ser prejudicada e que a própria credibilidade da competição mais dourado do mundo foi ameaçada simplesmente para lustrar a conta corrente de um burocrata vestindo blazer é deprimente ao extremo.”

A Fifa, por sua vez, lamenta o jornal, direciona os questionamentos ao seu comitê de ética. Todas as revelações acerca de desvio de verbas no futebol, no entanto, têm sido reveladas não a partir das políticas internas da Federação, mas, indica o jornal inglês, pelos esforços de repórteres investigativos. Quando as descobertas são feitas, a Fifa se esconde atrás da ofuscação legal, culpando quem revelou a informação e não tomando atitudes para “varrer o esterco de seus estábulos fedorentos”.

FONTE JB

 
 

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Comisión anticorrupción de la OEA realiza XXIII reunión del Comité de Expertos


La Vigésima Tercera reunión del Comité de Expertos del Mecanismo de Seguimiento de la Implementación de la Convención Interamericana contra la Corrupción (MESICIC) de la Organización de los Estados Americanos (OEA) tendrá lugar entre el lunes 17 y el viernes 21 de marzo en la sede de la institución hemisférica en Washington, DC.

Durante el cónclave, la Secretaría Técnica del MESICIC presentará los informes preliminares de las visitas in situ a Canadá, Ecuador, Guyana, Nicaragua y la República Dominicana, realizadas en el marco de la Cuarta Ronda de evaluaciones del sistema. Los informes serán considerados y adoptados por los 31 Estados que actualmente conforman el Mecanismo.

Por otra parte, se analizarán temas de interés colectivo como “La responsabilidad del sector privado en la prevención y el combate contra la corrupción”, instancia en la cual habrá presentaciones voluntarias a cargo de los Estados Parte y de organizaciones internacionales y del sector privado, que participarán en carácter de invitados.

Serán abiertos a la prensa y transmitidos en vivo a través de la Web de la OEA las siguientes partes de la reunión: la apertura del evento, instancia en la que participarán representantes de la sociedad civil, el lunes 17 de 9:00 a 11:00 EDT (13:00 a 15:00 GMT); la intervención del Secretario General de la OEA, José Miguel Insulza, quien se dirigirá al Comité de Expertos el miércoles a las 9:00 EDT (13:00 GMT); y el análisis entre Estados Miembros, organizaciones internacionales y del sector privado de temas de interés colectivo como la responsabilidad del sector privado en la lucha contra la corrupción, el jueves 20 de marzo de 14:30 a 16:30 EDT (18:30 a 20:30 GMT).

El MESICIC es un mecanismo de cooperación entre Estados, con amplia participación de organizaciones de la sociedad civil, establecido en el marco de la OEA, en que se analizan los marcos jurídico-institucionales de cada país, su adecuación a la Convención Interamericana contra la Corrupción y los resultados objetivos alcanzados. La incorporación de las visitas in situ como una etapa y parte integral del proceso de análisis constituye un desarrollo innovador en el ámbito de la OEA que ha consolidado aún más este mecanismo de análisis recíproco entre los Estados, con el apoyo de su Secretaría Técnica.

QUÉ: Vigésima Tercera reunión del Comité de Expertos del MESICIC de la OEA

CUÁNDO: Lunes 17 al viernes 21 de marzo de 2014. 9:00-17:30 EDT (13:00-21:30 GMT)

DÓNDE: Salón Padilha Vidal
Edificio Secretaría General de la OEA
1889 F Street. NW
Washington, D.C 20006

 
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Publicado por em 17 de março de 2014 em Notícias e política

 

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EL PAÍS – OPINIÃO: Melhor malandros que black-blocs?


http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/04/opinion/1393953612_575893.html

AUTOR JUAN ARIAS

O rio de milhões de brasileiros que neste carnaval celebraram os prazeres da vida e da sexualidade sem protestar contra nada acabaram fazendo esquecer os protestos de junho passado quando as imagens correram o mundo.

O que poderia acontecer agora, apagadas as luzes do carnaval mais famoso e sensual do mundo? Onde estavam nesse carnaval os black-blocs impertinentes que aproveitam quebrando os símbolos do capitalismo? Onde estavam os bandidos de ofício que regam o país de violência e o amedrontam? Onde estava a odiada polícia? E os políticos? Provavelmente, todos desfrutando do grande bacanal, que por uns dias anulava suas personalidades para fundir-se em um gozo coletivo.

O que acontecerá agora com a Copa, terminado o carnaval? E com as eleições presidenciais? Nem os melhores adivinhos seriam capazes de dar o prognóstico, mas algo é certo: os brasileiros, como já haviam apontado os antropólogos, seguramente seguem nutrindo mais simpatia pela festa, pelos malandros e operadores do jeitinho, duas grandes instituições tipicamente brasileiras, que pelos mascarados black-blocs.

Como já advertia Alberto Guerreiro Ramos o brasileiro “não faz revolução”, nem enfrenta o “superior hierárquico”, ainda que tão pouco aceite o “autoritarismo implícito”. Mas já que não pertence a sua idiossincrasia o enfrentamento de cara com o poder, busca um substituto: como não pode encará-lo, prefere sabotá-lo. É o que ele chama de “revolução silenciosa”.

E as duas instituições populares que delineiam a idiossincrasia brasileira melhor que os violentos black-blocs, são a malandragem e o jeitinho. Busca-se, por caminhos transversais, conseguir o que não pode conquistar com o enfrentamento direto. Talvez por ele, os brasileiros se sintam, afinal, mais à vontade nos carnavais que nas manifestações populares de protesto. Talvez por isso, a grande maioria dos cidadãos repudiar a ação protestante dos black-blocs e o Congresso quer até aplicar-lhes, com evidente exagero, as duras leis contra o terrorismo.

O feito da malandragem e do jeitinho seguem vivos na cultura popular até que a luta contra os corruptos não aparece nunca entre as prioridades da cidadania. Todos sentem-se, de algum modo, vítimas e protagonistas da pequena ou grande corrupção. Nenhuma obra melhor para entender esse modo de protestar brasileiro que a obra Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado, imortalizada no cinema por Sônia Braga, que pretende conciliar o desfrutar sensual e libertário da vida com a segurança da lei. Dona Flor consegue, no triângulo amoroso do amante malandro e do marido legal, satisfazer todos seus desejos.

No carnaval, como bem imortalizou em suas obras Roberto Da Matta, o brasileiro realiza seus sonhos sem necessidade de usar violência. A mulher pobre e anônima da favela se veste de rainha por um dia; o homem se disfarça de mulher; o jovem de policial, enquanto que o odiado policial se perde no meio do povo camuflado como uma pessoa normal. Cada um busca realizar seu sonho e exercer sua liberdade seu ser castigado.

Em um país apelidado como o de “leis”, que passam dos quatro milhões, como uma Constituição que tem mais artigos que as outras do mundo; em um país onde sempre reinou o autoritarismo, e a burocracia cobre tudo, os brasileiros se tornaram experts em burlar a lei para poder sobreviver. E o fazem por vias subterrâneas, sem enfrentar o legislador ou o poder. O fazem de seu modo ainda que seja roçando a ilegalidade.

Assim, os brasileiros acabam sendo paradoxalmente mais pragmáticos do que possa parecer. Nada mais realista, na verdade, que o jeitinho para conseguir o que a lei nunca daria para a maioria dos marginalizados do poder.

Como escreveu José Roberto de Toledo, também nas próximas eleições o voto dos brasileiros será mais pragmático que político. O eleitor brasileiro pensa, ao colocar seu voto na urna, mais que na ideologia, no que pode “ganhar ou perder pessoalmente”, votando a um ou outro candidato.

Daí os candidatos insistem às vezes mais em o que os cidadãos ‘perderiam’ se não os dão o voto, do que ‘ganhariam’ votando.

E as manifestações de protesto? Talvez me equivoque, mas tenho a impressão que os black-blocs, sem querer, as paralisaram. Me refiro às pacíficas. Mais ainda, penso que os brasileiros se sentiram aliviados com a desculpa da violência dos ‘vândalos’ para não ter que sair à rua.

Eles já fizeram saber, em sua maioria, que desejam que este país mude, que melhore, que se possa ir e vir mais a vontade, mas sem preocupar-se excessivamente com a ideologia. Tanto faz quem mude as coisas para melhor. Não são incendiários, são pragmáticos, inclusive os jovens. Por isso a maioria deprecia os ‘vândalos’ e acabarão votando em quem melhor os convença que vai mudar as coisas para melhor.

Se depois não o fazem, seguirão buscando caminhos transversais para melhor por sua conta a própria vida. Se é preciso tentar chegar ao poder, que seja, com a malandragem ou o jeitinho, é o que oferece a propaganda política sem cumprir.

E se o Brasil se modernizasse? E se amanhã voltasse a sair a rua exigindo que se cumpram as leis sem necessidade de ter que burla-las? Ah, então o Brasil seria outro, mas o de hoje é o que é, goste ou não.

O certo é que, a pesar de tudo, os brasileiros, sem desejos revolucionários, não aparentam menos felizes que tantos outros povos vizinhos. Com suas artes forjadas no antigo duelo entre senhores e escravos, conseguiram, com a força de sua criatividade, não poucos espaços de liberdade. E sem guerras.

Não é muito? Talvez, mas melhor não perguntar aos black-blocs, que eles nem parecem brasileiros. Melhor perguntar aos malandros eexperts do jeitinho, que conhecem como ninguém este país que segue apostando mais na festa que na revolução. Pelo menos na aberta e frontal. A subterrânea segue com suas incógnitas abertas. A “revolução silenciosa” de Guerreiro Ramos, talvez não tenha ainda se apagado e siga viva nas cinzas. E poderia ressurgir a qualquer momento.

 

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BRASIL TEM CARNAVAL EM TOM DE CRÍTICAS E PROTESTOS: O povo fala: denúncia sobre corrupção tem que acabar em camburão


MATÉRIA: JORNAL DO BRASIL – JB.COM.BR http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/03/03/o-povo-fala-denuncia-sobre-corrupcao-tem-que-acabar-em-camburao/

Às vésperas da maior festa popular do Brasil uma revista brasileira de grande circulação trouxe à tona mais um escândalo envolvendo o governo do Estado do Rio de Janeiro. A reportagem divulgada na última quinta-feira (27/2) apresenta detalhes dos documentos apreendidos na operação Castelo de Areia, deflagada pela Polícia Federal em março de 2009. A denúncia fala de um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a construtora Camargo Corrêa e aliados do governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB).

Esse assunto, aliado à greve dos garis, inspirou as manifestações dos foliões nos blocos de rua e nas rodas de samba durante o carnaval, expressadas não só nas letras dos sambas, mas em cartazes e faixas ironizando os desmandos do poder público do Estado.
Novos escândalos envolvendo Cabral foram criticados pelos foliões

De acordo com a reportagem, os documentos que compõem o processo criado a partir da Castelo de Areia indicam que o secretário de Governo do Rio, Wilson Carlos Carvalho, e o sócio de Cabral na empresa SCF Comunicações, Carlos Emanuel Miranda, teriam recebido propinas em um esquema formado durante a renovação da concessão do Metrô Rio, através de transferências de recursos para contas no país e no exterior. O pagamento teria sido efetuado, segundo a matéria da revista, após a controladora do Metrô Rio até o ano de 2008, a Opportrans, acertar a dívida do Governo do Estado com a construtora, no valor de R$ 40 milhões. Carvalho e Miranda teriam recebido propinas no valor de R$ 2 milhões, ou seja, 5% do total da dívida. Assim, a concessão do Metrô foi renovada até o ano de 2038, sem passar pelo processo de licitação.

A assessoria de imprensa da Camargo Corrêa, afirmou que o acordo triangular com o Estado e o Metrô Rio “foi homologado pela Justiça”. Já o governo do Rio afirmou que o secretário Wilson Carlos “jamais recebeu dinheiro desse ou de qualquer outro acordo que envolva o Estado e nunca teve conta no exterior”. Além disso, disse que Carlos Miranda foi sócio de Cabral “em uma empresa que deixou de operar há mais de sete anos e já foi extinta”.

O deputado federal Anthony Garotinho (PR) comentou a reportagem no seu blog, acrescentando que Carlos Emanuel Miranda ocupava o cargo de consultor técnico da Comissão de Orçamento durante a gestão de Sérgio Cabral na presidência da Assembléia Legislativa – “já seria um escândalo”, comenta Garotinho. Segundo o deputado, Miranda é detentor de 5% das ações da empresa SCF Comunicações, enquanto Cabral tem 90% e o Coordenador de Comunicação Social do Estado, o jornalista Ricardo Luiz Rocha Cota possui os outros 5%. “Essas comprovações mostram que Cabral provavelmente usava esta empresa ou outra para lavar o dinheiro que recebia de propinas”, afirma Garotinho na sua página na internet. Ele afirmou ainda que Miranda também é sócio do irmão do governador, Maurício de Oliveira Cabral, na empresa LRG Consultoria e Participações.

Blocos de rua em clima de “Fora Cabral”

Nos blocos de rua o assunto rendeu muitas críticas ao governo de Sérgio Cabral e inspirou os dizeres em cartazes. “Eu cheguei a votar no Cabral, mas com as coisas que estão acontecendo ele não será mais meu candidato. Nem ele, nem o Pezão. Estou muito insatisfeita com o governo dele, antes eu tinha uma vida mediana, mas agora meu nível está diminuindo cada vez mais. Eu acho que esses políticos deveriam estar em ‘cana’[cadeia]”, desabafou pensionista Teresa Nunes, 77 anos, moradora de Laranjeiras, enquanto pulava carnaval num dos blocos da cidade. O aposentado da prefeitura Carlos Antonio Gomes, 64 anos, foi mais agressivo na sua opinião. “Por mim o Cabral saia hoje do poder à bengalada. Ele e o Eduardo Paes deveriam sair do governo a pancadas. O governo é péssimo, ele, por sua vez, é um péssimo governador em todas as áreas: educação, saúde, segurança etc. Eu não votei nele e nem pretendo votar no Pezão, são todos ‘farinha do mesmo saco’”, exclamou o aposentado.
Cláudia Andrade: ‘governo péssimo’

Outra moradora do bairro de Laranjeiras, Claudia Andrade, 49 anos, acredita que a administração de Cabral decepcionou muito a população. “Eu estou achando o governo do Cabral péssimo. O maior problema é que as pessoas continuam votando nesse tipo de político corrupto. Eu acho que o voto não deveria ser obrigatório, assim não haveria pessoas como ele no poder. O estado nas mãos dele está piorando cada vez mais, e com Pezão seria o mesmo. Acho que vou anular meu voto, porque está difícil pensa em alguém”, disse ela enquanto acompanhava o bloco “Volta, Alice”. No mesmo bloco e dividindo a mesma opinião com Cláudia Andrade, o técnico de informática Márcio Simões, 58 anos, acredita que “um governo que está no fim não deveria renovar concessão nenhuma. Isso era trabalho para o próximo governador decidir. O governo do Cabral já deu. Ele já roubou muito, já governou muito, agora chega”, disse.
Márcio Simões: “o governo Cabral já deu”

O funcionário público Luiz Carlos Rodrigues, de 61 anos, afirma que a corrupção na cidade aumenta a cada dia e o governo cai no descrédito. “Como pode um governo que cobra comportamentos do cidadão, como não parar o carro no local proibido e não jogar lixo nas ruas, tomar tantas decisões erradas. Cadê o exemplo? Quando o povo reivindica os seus direitos, como está acontecendo agora com os garis, eles nem dão atenção. Tem que haver uma renovação urgente”, disse ele.

Já o aposentado Tito José de Oliani, de 66 anos, tem uma visão bem crítica das denúncias e comportamento do governo Cabral. “O que o governador e também o prefeito Eduardo Paes têm feito é olhar para os seus interesses comerciais, sem trabalhar para o bem da cidade. Basta a gente ver como está a situação da saúde, educação. Os direitos do cidadão estão acabando, como agora no caso dos garis. Tem que reivindicar mesmo. Eles estão certos. Não falta dinheiro para o governo melhorar as condições de vida e trabalho dessas classes”, disse o aposentado.

A cuidadora Maria José, de 46 anos, considera que o carioca está vivendo um “fim de mundo”, com tanta corrupção e violência urbana, em consequência das decisões erradas do governo local. “E quando o caso chega à Justiça, como esse envolvendo a equipe do Cabral, não acaba em nada. E tem mais, eles descobrem o esquema, mas será que vão descobrir e devolver o dinheiro?”, questionou ela.

 
 

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