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De onde falamos, como falamos e para quem falamos…

11 set

opressc3a3o   Falamos ou repetimos ideologias historicamente manipuladas, escritas em livros publicados pelo capital econômico, selecionadas à dedo pelas elites políticas dominantes para serem indicadas como referência dentro de academias? Quantos tipos de academias temos com o sucateamento promovido nas Universidades Públicas em favor do ensino privado, quase sempre de qualidade duvidosa? É certo que nas públicas temos seres pensantes com opinião própria, mas também sabemos de seletos grupos que decidem quem, como, quando e com que direcionamento vai fazer “ciência”, principalmente na área de humanas.

Comum é ouvirmos que essa ou aquela banca é tradicional, conservadora e/ou reacionária, o que vem traçar lamentáveis rumos para a “produção” (reprodução?) científica.

Não se pode contestar ou refugar autores seculares, milenares, que, sem descartar o valor que tiveram à sua época e para sua realidade política, muitos necessitam, no mínimo, de uma releitura e adaptação à aos tempos contemporâneos para que sirvam, ao menos, de referência bibliográfica (é chique).

Da mesma forma não se pode contestar, oferecer novas fronteiras, ou acabar com elas, no que diz respeito a tipologia de forma de governo, partição de poderes pensamento liberal e neoliberal, temos que respeitar a pseudo democracia do capital, e engoli-la…

Já se imaginou dentro de uma academia contestando Aristóteles, ou pior, um midiático Doutor Professor campeão de venda de livros? Será expurgado ao inferno, e não será o de Dante, já que alguns são a imagem do paraíso.

Saímos da academia repetindo antigas e emboloradas ideologias (já disse aqui que bolor pode matar), travestidas, com roupagem nova e bonitos nomes novos, com um brilhante discurso pré-estabelecido de um futuro maravilhoso que nada mais é que a manutenção de um passado que somente favoreceu à subjugação e acúmulo de capital.

É com esse discurso maravilhoso e diploma debaixo do braço que, do alto de sapatos italianos, ternos ingleses, whisky escocês e charutos cubanos, alguns com Rolex no braço e carros importados, que insistimos em convencer a todos nós mesmos que sabemos o que é melhor para o futuro, com fundamento em profetas do passado. Dizemos ao restante de nosso povo, com ajuda dos meios de comunicação, que nós é que sabemos o que eles querem e precisam, o que é melhor para eles, mesmo que eles não concordem.

Sociólogos e filósofos vêm se calando ao longo dos últimos 20 anos frente ao avanço do capitalismo, da sociedade do ter e da falência do ser. Logo eles que sempre foram os contestadores e os que ofereciam soluções, baseadas nos antigos mestres dos séculos anteriores. Poucos ainda ousam bradar na tentativa de mudanças de rumos, vozes sem eco e sem acesso aos meios de comunicação.

Não sabemos ao certo se sociólogos e filósofos se esgotaram por não ousar renovar a biblioteca, enquanto economistas nunca deixaram de renovar as suas, se perderam fôlego ou se desistiram, se renderam por impotência ou por sedução.

A verdade é que julgamos poder dizer à grande massa de atores sociais o que deveriam ser, deixamos a cidadania se resumir a consumo, estimulamos o consumismo desenfreado, o ter individualista em detrimento ao coletivo, o ter egoísta e totalitário.

Consumam, consumam, consumam, foi isso que dissemos, será alguém se consumir, um consumismo que somente favorece uma minoria dominante às suas épocas. Ordenamos como deveriam ser e agir, mas não lhes demos condições para tal, dissemos como ser sem que pudessem ser. Não dividimos as riquezas e não disponibilizamos riquezas para todos, mas desencadeamos uma ambição desenfreada, sob a ilusão que o consumismo elevaria alguém à uma categoria social ou humana melhor que as demais.

Dissemos isso para todos, bradamos aos “quatro cantos do mundo” (já que é para relembrar os antigos), para, principalmente, as classes menos favorecidas e, por consequência de uma conjuntura social covarde, as mais oprimidas.

Toda ação tem uma reação em contrário, podemos enganar todos por pouco tempo, mas não podemos enganar, nem poucos, o tempo todo, assim sendo, por aqueles que o capitalismo e a vida já haviam tirado tudo, somos acusados e culpados de lhes tirar os sonhos criados por nossas  falsas promessas ou silenciosas e criminosas omissões.

Agimos ou nos omitimos de forma criminosa e reclamamos da reação quando violenta. Violentamos almas, roubamos sonhos, tiramos o básico, investimos no individualismo, no ter, no egoísmo e reclamamos quando uma população revoltada reage buscando aquilo que lhes dissemos que teriam direito.

Acirramos a luta de classes e a transformamos em uma verdadeira guerra de classes, para os menos favorecidos qualquer que tenha mais é potencial inimigo, para os dominantes e suas tropas, qualquer que não tenha ou tenha menos é inútil, é uma ameaça, é marginal e perigoso inimigo que pode e deve ser mantido à distância ou exterminado.

Como disse, bolor pode matar… Ou mudamos o sistema ou o sistema nos extermina.

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Publicado por em 11 de setembro de 2015 em DIREITO&SOCIEDADE, Notícias e política

 

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