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DESCULPEM-ME, MAS ME ENVERGONHO E ME REVOLTO POR TANTA COVARDIA

05 abr

11078082_1083130755037210_6550156366316137391_n   Fico pensando… Tem horas, dias, que me envergonho de ser chamado de “branco”, até mesmo porque branco é leite, sou meio amarelado, meio queimado, sei lá que cor esquisita é essa. Brancos, fomos a países do continente africano, pegamos seres humanos, os tiramos de onde nasceram e viviam, separamos das famílias, amigos, filhos, pais… Encarcerados em porões de navios, os matamos de doenças, fome e maus tratos, os que sobreviveram escravizados, torturados, açoitamos, estupramos, matamos de pancada, trancamos em senzalas e, quando não mais compensava os comprar e manter, ” libertamos”. Libertamos, em um país estranho, sem roupas, sem comida, sem dinheiro, sem educação, sem saúde, sem casa, sem emprego… Os empurrarmos para periferias, quilombos, bolsões de pobreza. Segregamos, discriminamos, ou seja, continuamos a torturar. Mais de um século depois, ainda votamos em políticos que os abandonam, que colocam tropas onde moram, que exterminan os jovens, que não dão saúde e educação, que não criam empregos. Quando criam cotas a maioria dos “brancos” se revolta. Não obstante o fato de, ainda hoje, termos a tendencia de os colocarmos em jaulas, iguais ou piores que as senzalas, apenas por causa da cor da pele, vejo a foto daquele menino de dez anos, caido no chão, morto, sangue escorrendo, e preço desculpas por ter nascido “branco”, me envergonho.

 

10635780_786828414733898_4088717063663563174_n   É mais fácil o Estado autorizar e encobrir extermínio do que assumir que foi incompetente. É mais fácil matar que dar educação, saúde, gerar empregos e dar saneamento, se derem não sobra para a corrupção. Com desculpa de combate à criminalidade já matam, de forma seletiva e preconceituosa, trabalhadores, mulheres e homens, velhos e crianças, basta ser pobre ou ter o que chamam de “cor padrão”. Você não se importa? Lembre da música ” o dia em que o morro descer e não for carnaval”, vai ser um banho de sangue e terror, e não venham dizer que será ação de bandidos, será reação dos oprimidos.

 

 


Aí a população em luto sai às ruas para protestar diante do assassinato de uma criança de 10 anos, baleada na cabeça por um PM quando estava sentada em frente a sua casa. E, então, o que faz a polícia? Pede desculpas? Prende o autor do disparo? Não. Monta uma operação de guerra contra o povo. Vai até o Complexo do Alemão e joga bombas de gás nas pessoas e gás pimenta no rosto de homens, mulheres e crianças que protestavam pacificamente. Os que fazem isso não são policiais, são “capitães do mato”. Os que dirigem estes mateiros são ainda piores. A propósito, há governo no Rio?

 

 

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Publicado por em 5 de abril de 2015 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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