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O gênero dramático em Édipo Rei – Por SERGIO GRANJA

09 mar

http://laurocampos.org.br/2008/01/o-genero-dramatico-em-edipo-rei-2/

Por Sergio Granja em 20 de janeiro de 2008

O conceito do trágico no drama teatral da antigüidade clássica e no drama político da atualidade brasileira

Édipo e a Esfinge

Édipo e a Esfinge

A essência do drama, segundo Staiger, é a tensão. Toda a trama está concentrada em direção ao desfecho. Há economia de personagens e unidade de ação, tempo e lugar.

A composição dramática é escrita na forma de diálogo; e o “Eu” dramático (protagonista, deuteragonista, tritagonista) está todo no que faz e diz, interagindo no mundo e com o mundo.

Enquanto a epopéia narra a ação progressivamente, o drama representa a ação tensamente. Não é à toa que drama em grego quer dizer ação. Vale dizer, o drama é a ação sem a mediação de um narrador.

ÉDIPO REI, de Sófocles, é uma tragédia. A tragédia é a desgraça irreparável do herói vitimado pelo destino. Staiger diz que, “quando se destrói a razão de uma existência humana, quando uma causa final e única deixa de existir, nasce o trágico”.

Na peça de Sófocles, Édipo, rei de Tebas, é o protagonista; e a rainha Jocasta, a deuteragonista. As outras personagens são o cunhado Creonte (irmão de Jocasta), o adivinho Tirésias (que é um velho cego), o sacerdote (que fala em nome do povo), e o emissário de Corinto. Há ainda o coro.

Édipo é o herói trágico. Ele não tem culpa de nada (é vítima do destino) e se sacrifica pelo seu povo. A tragédia se abate também sobre Jocasta, que se pôs contra o destino. Jocasta se suicida (enforcando-se) ao saber que se tornara mulher de seu filho. Édipo, ao descobrir que matara seu pai, Laio, e se casara com sua mãe, cega-se (vazando os olhos) e pede que seu cunhado e tio Creonte o expulse de Tebas. Com o banimento, o herói trágico salva o reino da maldição da peste (que seria uma punição pela presença do assassino de Laio entre os tebanos).

A peça converge inteira para o desfecho trágico. A verdade vai sendo revelada nos diálogos, num clima de tensão produzido pelo entrechoque das personagens.

É mais ou menos como a peça que se desenrola agora no proscênio da política nacional.

Gramsci postula que a tragédia na vida de um partido não está em não chegar ao poder, mas em chegar lá e negar o seu programa. Então, parafraseando Staiger, podemos dizer que, quando se destrói a razão da existência de um partido, quando uma causa final e única deixa de existir, nasce o trágico.

Coisas do destino… Só que o destino trágico aqui é uma teia tramada no jogo dos atores políticos: as concessões e as alianças que se fazem ditam o espaço do que é permitido e do que não é tolerado; a opção pelo pragmatismo obriga à assimilação dos valores dominantes em detrimento da radicalidade dos princípios; o trânsito da contestação à integração é um deslocamento que submete o transeunte à lógica política e econômica que é o fundamento mesmo da miséria moral e social brasileira.

Não foi por acaso que o PSOL foi expelido do PT.

A História se repete: uma vez, como tragédia (PT); depois, como farsa (PCdoB).

Sergio Granja é autor do romance Louco d’Aldeia em dois tempos (Record, 1996).

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Publicado por em 9 de março de 2015 em educaçãp e cultura, POLÍTICA

 

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