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MORTE DE DANÇARINO “DG”, UM “AMARILDO” FAMOSO, DEMONSTRA O FRACASSO DA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

25 abr

 

dgbondedamadrugada  “Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, de 26 anos, caído dentro da creche do Pavão-   Pavãozinho, no local em que foi encontrado pela polícia. Na imagem, é possível ver,      nas costas do jovem, a marca do tiro que o rapaz levou. Ele aparece na imagem caído  num beco, dentro da creche, com o rosto encostado numa parede e uma das pernas  dobradas. Ao encontrar o cadáver, na última terça-feira, a perícia do local apontou que  as escoriações apresentadas pelo dançarino eram “compatíveis com morte por queda”,  sem mencionar a perfuração por arma de fogo. Apenas no dia seguinte, foi divulgado  que DG tinha tomado um tiro antes de morrer.

“Nós vamos terminar o segundo mandato, se eu for reeleito, sem nenhuma comunidade com poder paralelo no Rio de Janeiro”, dizia, à época. “Isso é um compromisso meu”.

Com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) como carro-chefe de sua campanha, Sergio Cabral (PMDB) conseguiu ser reeleito. Mas, faltando menos de um ano para o final de seus mandatos, ninguém mais espera ter olhos para ver o poder paralelo desaparecer.

É claro que o descumprimento de uma promessa tão grandiosa quanto essa está longe de justificar nosso título. Contanto que as UPPs continuassem a parecer promissoras, avançando consistentemente em seus objetivos, seria equivocado e injusto proclamar a falência do projeto.

Douglas

O estudo “Os donos do morro”, coordenado pelo professor Ignacio Cano em maio de 2012, mostra  que as áreas pacificadas experimentaram uma redução de quase 75% no número de mortes  violentas. Os roubos também tiveram forte diminuição: mais de 50%.

Mesmo o impressionante aumento de 92% na taxa de desaparecidos – amplamente discutido após o  caso Amarildo, na Rocinha – não é suficiente, dizem os pesquisadores, para colocar em xeque esta  redução.

Para o sociólogo Ignacio Cano, que é coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o incidente na favela Pavão-Pavãozinho é mais uma evidência de que o programa das UPPs está em crise.

“O que aconteceu na Pavão-Pavãozinho não é um caso isolado. O programa das UPPs foi recebido como a grande solução para o problema de segurança pública no Rio. Com o tempo, ele foi colocado no piloto automático e agora temos cada vez mais indícios de que precisa ser reavaliado”, diz.

  Entre os indícios da necessidade de reavaliação do programa de pacificação, como sugere o sociólogo Ignacio Cano, estariam denúncias de abuso por parte da polícia em favelas ocupadas e a onda de ataques contra UPPs. Há confrontos e retomada de espaço pelo tráfico em comunidades importantes, como a Rocinha e o Complexo do Alemão, e a ocupação do Complexo da Maré tem sido alvo de muitas críticas.

Também teve grande repercussão o caso do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, que desapareceu após ser levado para uma UPP na Rocinha e assassinado em julho do ano passado.

Cano explica que o formato do programa não é sustentável a longo prazo e que, se fosse interrompido de forma abrupta, não garantiria a manutenção dos baixos índices de criminalidade.

DG ENCENA A PRÓPRIA MORTE EM VÍDEO

DG ENCENA A PRÓPRIA MORTE EM VÍDEO

“Tal como o programa está hoje, se os policiais saíssem de determinadas comunidades, poderíamos ter uma reversão dos avanços na contenção da violência em um curto espaço de tempo, questão de semanas”, diz. “Até agora tivemos um foco grande na retomada do controle territorial, mas faltaram iniciativas na área de formação policial, por exemplo.”

Outro ponto crítico, segundo o sociólogo, seria a falta de mecanismos institucionais para melhorar a relação entre policiais e moradores das favelas ocupadas.

“Hoje, essa relação depende do comandante da polícia em cada local”, diz Cano. “Poderíamos ter, por exemplo, conselhos em que policiais e membros dessas comunidades discutissem juntos regras de convivência.”

Para o sociólogo, é natural que a proximidade da Copa aumente a preocupação das autoridades em relação aos ataques contra UPPs.

“Cinco anos atrás, o que ocorreu na Pavão-Pavãozinho nem seria notícia fora do Brasil”, diz ele.

“Agora, não só o mundo está de olho no que acontece aqui como sempre há a possibilidade de que incidentes como esse contribuam para ampliar o descontentamento com o problema de segurança pública e inflar protestos.”
140422mortedancarinoagencia-brasilfernando-frazao2 Desde que iniciou-se a movimentação para reurbanização do Rio de Janeiro para a  Copa do Mundo FIFA, criou-se um ambiente tenso    dentro das comunidades  carentes e favelas, sabia-se da intervenção do estado e temia-se sua forma.

Pontos estratégicos de acesso a aeroportos e estádios deveriam sofrer  intervenções. Sob a desculpa de combate ao tráfico de drogas, interviram nas  favelas, com operações que chamaram de “ocupação”, que mais se pareceram com  acordo feito com o tráfico.

As “ocupações” foram previamente anunciadas, com tempo suficiente para o tráfico  esconder suas armas e seus líderes se mudarem para outras localidades. Há  notícias de moradores de comunidades “pacificadas”, que o tráfico continua  operando, somente teriam deixado de ostentar armas, armas essas que surgem imediatamente quando têm algum problema com a polícia “pacificadora” das UPP’s.

Vale lembrarmos que em seguida começaram as remoções forçadas e demolições, o que aumentou o clima de tensão dentro das comunidades “ocupadas”. Em algumas favelas, de forma mais absurda ainda, que sequer estavam no “mapa” da Copa, demolições foram efetuadas no alto dos morros, sob a desculpa de “risco”, os entulhos foram deixados a mercê das chuvas, entulhos estes que a qualquer momento descerão com a força das águas demolindo tudo o que estiver no caminho.

Com advento da Copa, feridas profundas das Administrações Públicas foram expostas: preparativos superfaturados, acusações de desvios de verbas provocaram manifestações em todo o País exigindo melhores serviços públicos e o fim da corrupção, exigindo moralidade pública e ética na política
O Brasil, nas esferas municipal, estadual e federal, adotou a mesma prática que os  EUA adotam a nível internacional: sob a desculpa de manutenção da democracia,  usam de prática intervencionista e fascista, suprimindo direitos e reprimindo com  extrema violência.

brazil-rio-violence_franCausa de estranheza é vermos a democracia, que deveria ser a vontade do povo, se  tornar  absolutista e fascista, para defender-se da vontade desse mesmo povo,  instalando  um  permanente estado de exceção. Com o silêncio conivente do Ministério Público,  Defensoria Pública e com a conivência direta do Poder Judiciário, Direitos legal e  constitucionalmente tutelados são violados.

Neste contexto, o Rio de Janeiro passou a viver um permanente estado de guerra civil. O número de homicídios dolosos no estado do Rio de Janeiro aumentou 18,1% em janeiro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. No primeiro mês deste ano, houve 469 homicídios dolosos no estado, contra 397 em janeiro de 2013. Os autos de resistência, quando há mortes em confronto com a polícia, também aumentaram; foram 29 casos em janeiro de 2013 e 49 no primeiro mês deste ano, informou o Instituto de Segurança Pública (ISP), ligado à Secretaria de Estado de Segurança Pública. 

No ano de 2013 no Estado do Rio de Janeiro foram registrados 3.998 homicídios dolosos em 16 milhões de habitantes: Homicídios por 100 mil habitantes: 25, índice este que nesse ano de 2014 já subiu para 26,5. (os números oficiais destoam dos números encontrados por ONG’s e Organismos internacionais de Direitos Humanos)

A produtividade da polícia teve aumento considerável em janeiro deste ano, contra o mesmo mês do ano passado. A apreensão de drogas aumentou 31% (2.025 casos em 2013 e 2.653 em 2014) e o número de armas apreendidas cresceu 13,2% (615 em 2013 e 696 em 2014).
brazil-rio-violence_fran Essa associação de fatores elevaram ao grau máximo de tensão a convivência  de  “polícia pacificadora”, traficantes e moradores das favelas ‘ocupadas”. A pressão  do  Estado sobre os policiais na obtenção de resultados, a conivência da  Administração  com práticas fascistas e o temor permanente de ataques por parte  do tráfico, levam  estes policiais a girem com extrema intolerância e violência, o que  acirra os ânimos dentro das localidades sob o domínio das UPP’s, onde longe da  imprensa, fora do alcance das câmeras de TV, encoberto pela geografia complicada  e ocupação desordenada, muitas vezes sob a proteção do manto da noite, tudo é  válido e pode acontecer.

Acusações são trocadas entre moradores, traficantes e policiais. A polícia atribuí  ao tráfico o imenso número de desaparecidos e a média de 5 mortes diárias dentro  das favelas, que a eles são atribuídas por moradores e traficantes, tráfico este que  segundo a própria polícia não existe mais dentro destas comunidades.

A morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, conhecido como DG, dançarino do programa “Esquenta”, de Regina Casé, na TV Globo, uma pessoa de destaque na mídia, serviu apenas como centelha para fazer “explodir o verdadeiro barril de pólvora” que foi plantado nas favelas cariocas.

Ocupação, intolerância, violência, violação de direitos, desocupações forçadas, desaparecimentos misteriosos e homicídios foram os ingredientes para uma mistura extremamente explosiva. As chagas de nossa sociedade foram abertas e expostas, as desigualdades vieram a tona, a política, polícia e justiça seletiva mostraram definitivamente sua verdadeira face de terror.

download“E foi morrida essa morte,
irmãos das almas,
essa foi morte morrida
ou foi matada?
Até que não foi morrida,
irmão das almas,
esta foi morte matada,
numa emboscada.”
Morte e Vida Severina João Cabral de Melo Neto

Wilson das Neves fez a música “O Dia Em Que o Morro Descer e Não For Carnaval”. A falta de políticas públicas nas comunidades mais carentes, principalmente as já “ocupadas”, está tornando a arte uma realidade.

(abaixo o vídeo com a música de Wilson das neves e, ao final do post, encontra-se o vídeo onde o dançarino DG encena a própria morte)

Vive hoje o Rio de Janeiro uma guerra civil não declarada, ou não assumida por seus governantes. A tendência é que com a proximidade da copa do mundo de futebol e com o aumento dos escândalos de corrupção, aumente a tensão entre população e Estado, provocando grandes manifestações e aumento da violência repressiva.

VÍDEO ONDE DG ENCENA SUA PRÓPRIA MORTE

CORPO DO DANÇARINO DG

CORPO DO DANÇARINO DG

 

 

 

 

 

 

 

 

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