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A Rússia ameaça a UE com possível corte de gás à Ucrânia

10 abr

Vladimir Putin advertiu nesta quinta-feira que o fornecimento de gás à Europa “poderia ser afetado”, caso a Ucrânia não pague sua fatura e a Rússia tenha de cortar o serviço. O presidente russo enviou uma carta aos líderes de 15 países da União Europeia mais a Turquia, na qual informa sobre essa situação e sugere que trabalhem juntos na restauração da abalada economia ucraniana.

Cerca de 30% da demanda de gás natural da Europa é fornecida pela Rússia e a metade do produto passa através dos gasodutos que atravessam a Ucrânia. O gigante russo de gás natural Gazprom já parou o bombeamento de gás para o território ucraniano durante as disputas de preços nos invernos de 2005-2006 e 2008-2009, o que provocou escassez nos países europeus que recebem o gás russo.

A Gazprom informou que a Ucrânia deve 2,2 bilhões de dólares (4,84 bilhões de reais) pelo fornecimento de gás. O presidente russo assegura que, se Kiev não cancelar a dívida, o consórcio de gás terá de suspender o fornecimento completamente. “Sem dúvida, essa é uma medida extrema”, afirma Putin em sua carta, à qual teve acesso a agência Reuters. Entre os líderes que receberam a missiva está a chanceler alemã, Angela Merkel, cujo país é o maior consumidor europeu de gás da Rússia.

“Mês a mês, cresce a dívida da Naftogaz Ucrânia pelo gás. Em novembro/dezembro de 2013 era de 1,45 bilhão de dólares (3,19 bilhões de reais), em fevereiro de 2014, a dívida subiu mais 260 milhões de dólares, e, em março, mais 526 milhões. Lembro que em março ainda aplicávamos o preço com desconto de 268,5 dólares (626 reais) por cada mil metros cúbicos. E, inclusive com esse preço, a Ucrânia não pagou nem um dólar”, censura Putin.

O líder russo escreveu que “a Rússia está disposta a participar no esforço para restaurar a economia da Ucrânia”, mas só em “igualdade de condições” com a UE. O presidente pede o início de conversas entre os ministros das Finanças e Energia para estabilizar a economia ucraniana e “garantir o fornecimento de gás russo”. O líder russo afirma que “a crise econômica da Ucrânia foi causada, em parte, pelo desequilíbrio comercial com a UE”.

A Rússia duplicou o preço que cobra da Ucrânia pelo gás, desde a queda em fevereiro do presidente Viktor Yanukovich, que era do agrado de Putin por recusar laços comerciais e políticos com a UE. A Gazprom anunciou há uma semana um reajuste do preço até 485,5 dólares por cada mil metros cúbicos, a partir de abril.

A carta foi enviada aos líderes de Alemanha, França, Itália, Moldávia, Romênia, Turquia, Hungria, Eslováquia, Eslovênia, Macedônia, República Checa, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia, Bulgária e Áustria. “Através dos canais diplomáticos, essa carta, assinada por Putin, foi entregue hoje (quinta-feira) a líderes das Europas Oriental e Ocidental, e uma cópia foi enviada a Bruxelas”, comentou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo as agências russas.

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Publicado por em 10 de abril de 2014 em Notícias e política

 

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