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Ipea: para 58,5%, comportamento feminino influencia estupros

28 mar

VEJA AQUI O ESTUDO COMPLETO EM PDF

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgou nesta quinta-feira uma nova edição do Sistema de Indicadores de Percepção Social sobre tolerância social à violência contra as mulheres. O estudo mostra que o brasileiro médio é a favor da punição a agressores, mas acha naturais as afirmações que indicam uma tolerância maior com a violência de gênero. Mais da metade dos entrevistados também responsabilizam as mulheres pela motivação de agressões sexuais.

Segundo a pesquisa, 65,1% concordam totalmente ou parcialmente com a afirmação “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, enquanto 24% discordam totalmente, 8,4% discordam parcialmente e 2,5% se declaram neutros. Já 58,5% concordam com a afirmação “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”; 37,9% discordam totalmente (30,3%) ou parcialmente (7,6%) da afirmação – 3,6% se dizem neutros em relação à questão.

O Ipea conclui que, por trás dessas afirmações, “está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então as mulheres, que os provocam, é que deveriam saber se comportar, não os estupradores”.

O Ipea também indagou dos entrevistados sobre aspectos que envolvem a violência contra a mulher no país. Foram abordados temas como separação, filhos, xingamentos e onde os casos devem ser discutidos. Segundo a pesquisa, 33,3% concordam totalmente com a afirmação de que casos de violência dentro de casa devem ser discutidos “somente” entre os membros da família; 25,2% discordam totalmente. Em outra questão, 61,7% disseram concordar totalmente que, quando há violência, o casal deve se separar.

De acordo com a pesquisa, 69,8% dos entrevistados discordam totalmente da ideia de que a mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos e 76,4% discordam totalmente da afirmação de que um homem pode “xingar e gritar com sua mulher”.

A pesquisa questionou também os entrevistados sobre relações sexuais. Segundo o levantamento, 54% discordam totalmente da ideia de que “a mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando não tem vontade” enquanto 14% concordam totalmente com a afirmação.

O estudo também mostra que 38,8% dos entrevistados concordam totalmente que casamentos homossexuais deveriam ser proibidos e 32,1% discordam totalmente – 44,9% disseram concordar totalmente com a afirmação de que incomoda ver dois homens ou duas mulheres se beijando na boca em público; 28,2% dizem discordar totalmente.

A pesquisa ouviu 3.810 pessoas em todas as regiões do País. O estudo completo faz recorte regional, de gênero, de religião, além de idade, escolaridade e renda.

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Publicado por em 28 de março de 2014 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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