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A 80 dias da Copa, Brasil militariza as favelas do Rio utilizando-se de “pano de fundo” para a verdadeira intenção

28 mar

A ocupação de uma das maiores favelas do Rio de Janeiro pelo Exército brasileiro, decidida após longas reuniões durante o fim de semana entre o governador fluminense Sérgio Cabral e a presidente Dilma Rousseff, deverá garantir literalmente sua “paz armada” até o dia 31 de julho.

A Maré, nome do heterogêneo complexo de comunidades, se estende ao lado de uma rodovia estratégica durante a Copa: a que liga o Aeroporto Internacional do Galeão com o centro carioca.

Neste operativo se estima a participação de 1.500 homens das Forças Armadas, apoiados em forma direta por agentes policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A intervenção derivou, na terça, 25 de março,  na acelerada fuga dos chefes das principais organizações do tráfico de drogas, como o Comando Vermelho e as milícias.

O papel principal foi dos militares, que foram convocados pela sexta vez para auxiliar as tropas policiais do Rio desde que Cabral começou seu primeiro governo em 2007: o sossego durante a Conferência Mundial Rio+20 da ONU em 2012, e depois durante a turnê do Papa Francisco em 2013, foi conquistado à força de baionetas e tanques.

Durante as últimas duas semanas uma sucessão de episódios de tiroteios sobre carros policiais acendeu todos os alarmes.

Até as balas perdidas com vítimas inocentes tinham voltado. A segurança chegou a se complicar tanto que em pouco tempo se transformaria em um sério risco para a tranquilidade dos turistas e torcedores de futebol que devem chegar em massa ao Rio de Janeiro a partir do dia 11 de junho.

Foi isso que fez com que Cabral e seu secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a autoridade que criou as unidades de policias  pacificadoras das favelas (UPP), solicitassem a participação direta do Exército. Suas tropas deverão assumir a responsabilidade total na Maré.

A presidente Dilma Rousseff aprovou o envio de batalhões federais sob a fórmula estabelecida pela Constituição brasileira, que admite o uso das Forças Armadas como “garantia da lei e da ordem”.

Não deixa de ser um paradoxo que se acione novamente essa cláusula constitucional a cinco dias do aniversário do golpe de Estado que derrubou o ex-presidente João Goulart. No dia 31 de março os brasileiros recordarão meio século daquele motim que instaurou uma ditadura que durou 21 anos.

A verdade é que os governos democráticos pediram ajuda aos militares sempre que se encontraram em dificuldades para controlar as ações desmedidas dos líderes das organizações do tráfico de drogas. Essas máfias, que permearam durante décadas as estruturas sociais das favelas brasileiras, não foram realmente desalojadas. Elas apenas se calaram.
Na segunda-feira, 24 de março, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, participou de uma entrevista à imprensa com o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi.

O militar disse que a participação das tropas irá redundar em “uma presença definitiva do Estado nas comunidades. As forças federais ficarão pelo tempo que for necessário”.

Ao justificar seu pedido de intervenção militar, o governador Cabral se baseou nos ataques registrados contra as Unidades Pacificadoras da polícia estadual: “É um passo decisivo para a segurança em uma área estratégica do Rio”, disse.

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1 comentário

Publicado por em 28 de março de 2014 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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Uma resposta para “A 80 dias da Copa, Brasil militariza as favelas do Rio utilizando-se de “pano de fundo” para a verdadeira intenção

  1. interferenciaurbana

    3 de abril de 2014 at 19:14

     

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