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Senadores querem investigação da Petrobras pela Procuradoria da República

20 mar

ércio Ribas Torres e Sheyla Assunção


Simon, Randolfe e Cristovam: apuração pela Procuradoria tem mais chances de sucesso

As denúncias sobre irregularidades na gestão da Petrobras poderão ser investigadas pelo Ministério Público Federal. Um grupo de senadores vai protocolar uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo uma investigação nas contas da empresa. A decisão foi anunciada após reunião na tarde desta quinta-feira (20), no gabinete do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Além dele, participaram do encontro os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Cristovam Buarque (PDT-DF), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Ana Amélia (PP-RS).

Segundo Cristovam Buarque, o pedido de investigação no Ministério Público não anula uma possível CPI. Ele disse que estaria disposto a assinar um requerimento para criar uma comissão com o objetivo de investigar a Petrobras. Randolfe também não descarta assinar um pedido de CPI. Ele admite, porém, que as CPIs não têm tido o resultado esperado no Congresso. Para ele, a representação ao Ministério Público é o caminho ideal, pela possibilidade de uma investigação imediata.

Cristovam enumerou motivos que justificam uma investigação na Petrobras. O senador citou a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006. O negócio, que viria a se completar em 2012, causou prejuízos de cerca de US$ 1 bilhão à empresa e já é alvo de investigação da Polícia Federal (PF), Ministério Público, Tribunal de Contas da União (TCU) e de uma comissão externa da Câmara dos Deputados por suspeitas de irregularidades. O senador também destacou a queda no valor das ações – de R$ 29 no início do governo Dilma, para cerca de R$ 13 – e mencionou que a PF prendeu, pela manhã, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, suspeito de lavagem de dinheiro.

 O que dá a impressão é que a Petrobras está sendo administrada de maneira leviana e incompetente, para não falar em desvio de dinheiro. A sociedade está perplexa. Nós não temos o direito de ficar quietos – declarou Cristovam.

Randolfe ressaltou que o pedido de representação está aberto ao apoio de mais senadores e disse que buscará o apoio de outros parlamentares. Conforme informou o senador, o grupo deve se encontrar na terça-feira (25) com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A representação citará a então ministra da Casa Civil  e hoje presidente da República, Dilma Rousseff. Era ela quem comandava o Conselho de Administração da Petrobras, tendo concordado com a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Segundo o senador, pode ter havido dolo por parte de Dilma. Ele não descarta nem mesmo a ocorrência de crime de responsabilidade e até um impeachment, dependendo do resultado da investigação.

– Está claro, no mínimo, que houve negligência – disse Randolfe.

Segundo Rodrigo Rollemberg, a PGR tem condições de fazer uma investigação profunda e despolitizada, contribuindo para esclarecer os “graves” fatos recentemente denunciados. Para a senadora Ana Amélia, as contradições entre integrantes do governo sobre a situação da Petrobras e sobre denúncias envolvendo a empresa ampliam a sensação de irregularidade.

CPI da Petrobras

Cristovam e Ranfolfe não descartam uma CPI para investigar as denúncias relacionadas à Petrobras. Mas reconhecem que seria um caminho mais árduo.

– Começar a coleta de assinaturas para uma CPI é a parte mais fácil. O mais difícil é uma CPI, principalmente em um ano eleitoral, terminar em bom termo – disse Radolfe.

Para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a investigação política só tem sentido quando os fatos não estão sendo apurados. Na visão de Renan, “não há sentido se fazer investigação política”, quando os fatos estão sendo investigados normalmente. O senador Jorge Viana (PT-AC) também se manifestou contra a criação de uma CPI.

– A gente vê disfarçadamente uma campanha contra a Petrobras. Será que é porque agora nós temos o pré-sal? Será que é porque agora a Petrobras vai multiplicar por três a produção de barris? Ou será que é por conta da proximidade da eleição? – questionou.

Cerveró

Renan Calheiros respondeu aos jornalistas sobre as declarações dadas à imprensa pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), segundo o qual a indicação de Nestor Cerveró para o cargo de diretor internacional da Petrobras teria sido feita pelo presidente do Senado. Cerveró, hoje na BR Distribuidora, foi o responsável pelo parecer técnico que, segundo disse à imprensa Dilma Rousseff, continha “falhas” que a levaram  a apoiar a compra da refinaria de Pasadena. A operação, que resultou num prejuízo de cerca de US$ 1 bilhão para a Petrobras, ocorreu em 2006, quando Dilma Rousseff comandava o Conselho de Administração da estatal brasileira.

– Não se trata de saber se o Delcídio indicou o Cerveró ou não. O Delcídio tem que ficar despreocupado porque certamente não o indicou para roubar a Petrobras. Ele deve ficar tranquilo – declarou Renan.

Agência Senado

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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