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Pistoleiros invadem aldeia no Sul da Bahia

15 mar

Pistoleiros invadem aldeia dos índios Tupinambá no município de Itapebi, ateiam fogo em 28 moradias, torturam e espancam indígenas que não conseguem fugir

safe_image  Cerca de 18 jagunços invadiram no dia 7 de março a aldeia Encanto da Patioba, pertencente aos índios Tupinambás, destruindo tudo e espancando os indígenas. Os jagunços invadiram a área ocupada pelos indígenas e atearam fogo em 28 moradias, destruindo todos os pertences, como roupas e documentos. Também roubaram equipamentos como motosserras, rádios, motor de farinheira e outros, todos fundamentais para a renda das famílias.

Mataram os animais como galinhas, perus e cães com tiros e golpes de facão, e também destruíram as roças, numa clara tentativa de inviabilizar a permanência das famílias Tupinambás no local.

Muitos indígenas conseguiram fugir, mas algumas pessoas foram rendidas e torturadas violentamente. Dois idosos de 73 anos, duas mulheres e dois de seus filhos (um de 5 anos e outra de 7 meses) ficaram para trás e sofreram com a violência dos pistoleiros. Os jagunços estavam armados e possuíam pistolas 765, espingardas 44 e 12, rifle calibre 38, pistola 380 e dois fuzis.

“Foi um massacre. Queimaram tudo o que estava dentro das casas: roupa, comida, documentos, tudo. E o que não queimaram, eles roubaram: motosserra, rádio, fogão, celular, motor de farinheira (que gera energia) e um ralador. Mataram cachorro a facão. Atiraram nos perus. Acabaram com nossas galinhas, a gente tinha pra mais de 400 galinhas na comunidade toda. Destruíram nosso canavial. Cataram nossas roças, nossas abóboras. Não sobrou nada”, disse o cacique Astério em entrevista ao CIMI.

“Eles chegaram a ameaçar que iam estuprar nós. Nossa sorte é que, depois que viram as crianças, eles pararam de bater em nós duas. Mas as crianças ficaram traumatizadas e logo depois o menino vomitou bastante”, relata uma indígena que sofreu tortura.

A aldeia Encanto da Patioba localizada no município de Itapebi, extremo sul da Bahia, as margens do Rio Jequitinhonha, era o local de moradia de 31 famílias indígenas que lutam pela demarcação de suas terras.

 

Polícia para proteger o latifúndio

 

Os Tupinambás de Itapebi vem sofrendo constantemente com a polícia da região. Seja com a omissão diante dos crimes cometidos pelos pistoleiros ou seja com a atuação conjunta com estes criminosos.

Os indígenas reconheceram entre os pistoleiros dois ex-policiais, que também são fazendeiros, Teodomiro e José Maciel, conhecidos pela pistolagem contra os índios na região.

Outros pistoleiros reconhecidos são o fazendeiro Peba, Juarez da Silva Oliveira, ex-vereador de Itapebi e o gerente da fazenda Lombardia, José Gastão.

Após os indígenas sofrerem as torturas no local, foram encaminhados pelos dois ex-policiais para a delegacia de Itapebi e Eunápolis sob a acusação de porte ilegal de armas. Em nenhum momento os policiais das delegacias destes municípios questionaram a prisão arbitrária sofrida pelos índios, pelo contrário ainda registraram um boletim de ocorrência contra os Tupinambás por porte ilegal e mesmo após as denúncias dos índios sobre a violência cometida pelos ex-policiais, não houve nenhuma prisão dos pistoleiros.

O descaso é tamanho que os indígenas foram a Polícia Federal denunciar o ocorrido e os federais ainda não foram sequer ao local investigar.

 

 Luta para reconhecimento e demarcação

 

Somente nessa aldeia já são cinco os indígenas que estão ameaçados de morte e com “prêmios” para quem assassina-los. São eles Juquira, Cacique Astério, o cacique Roberto, o vice cacique Carlos, o ex-cacique Jovenal, Adauto e Jefinho.

Por sorte algumas lideranças não estavam no local, porque a probabilidade de serem assassinados seria muito grande.

Em 2009 uma liderança antiga dos Tupinambás de Itapebi foi assassinada brutalmente dentro da aldeia Patioba pelos pistoleiros e até hoje nenhum latifundiário foi punido.

Há anos os indígenas aguardam um posicionamento da Funai, que age de maneira muito lenta e acaba por permitir a ação dos latifundiários.

Recebem apenas promessas, mas o reconhecimento e demarcação continuam paralisados. É preciso lutar para a demarcação e garantir a autodefesa das comunidades indígenas.

 

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Publicado por em 15 de março de 2014 em DIREITO&SOCIEDADE

 

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