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Dilma envia ministro e assessor para destravar conflito comercial com Argentina

11 mar

Eleonora Gosman, correspondente jornal Clarín no Rio de Janeiro

As relações comerciais entre a Argentina e o Brasil entraram em uma espiral descendente e prenunciam uma negociação difícil entre os dois governos, marcada para a sexta-feira, 14 de março, quando desembarcam em Buenos Aires o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges e o assessor internacional Marco Aurélio Garcia.

A viagem do conselheiro presidencial e o ministro foi uma decisão adotada pelo governo de Dilma Rousseff devido ao vínculo amistoso que ela mantém com a presidente Cristina Kirchner, desde a época em que Cristina era senadora.

Homem chave para os assuntos diplomáticos latino-americanos, Marco Aurélio deveria em princípio convencer a Casa Rosada sobre a necessidade de “revitalizar” um comércio mútuo decrescente e cada vez mais condicionado. Em síntese, trata-se de buscar mecanismos que permitam afrouxar o aperto argentino sobre as importações, por causa da diminuição de reservas.

De acordo com o secretário brasileiro de Comércio Exterior, Daniel Godinho, a Argentina deve se sentar no banco dos réus como responsável pela deterioração das vendas do Brasil para o mundo.

De fato, as importações argentinas de bens brasileiros derraparam 11,8 por cento no período janeiro-fevereiro em relação ao ano passado, segundo os dados que o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil acaba de publicar. “A Argentina é o nosso terceiro maior sócio comercial e um destino tradicional das manufaturas industriais. Por isso nossa preocupação em aumentar as vendas para esse país”, disse o Godinho à imprensa.

Mas uma análise desses números revela que a Argentina perdeu muito mais força no Brasil do que o contrário. As exportações argentinas para o mercado brasileiro no primeiro bimestre declinaram 23,9 por cento.

De acordo com os próprios números do governo de Dilma, o Brasil sofre um déficit comercial recorde para o início de ano (desde 1993 quando começou a ser medido semanalmente), com um desequilíbrio da balança de US$ 6,183 bilhões no primeiro bimestre.

No entanto, os dados mostram de forma contundente que a responsabilidade não foi precisamente da Argentina. O Brasil ainda vende para a Argentina mais do que compra. Além do mais, as contas que o governo brasileiro acaba de publicar revelam que 90,7 por cento de seu déficit se deve à China, à União Europeia e aos Estados Unidos.

É justamente entre esses dois países e o bloco europeu que o Brasil concentra 54 por cento de seu intercâmbio com o mundo. A participação argentina no total brasileiro, que chegou a 7,4 por cento em 2013, caiu no primeiro bimestre a apenas 5 por cento. Se essa proporção se mantiver em 2014, a Argentina deixará de ser o “terceiro maior sócio comercial”, como explica Godinho, para passar ao quarto lugar.

De acordo com o secretário, “o objetivo é aumentar nossas exportações para o país vizinho”. Ele disse que estão estudando medidas, mas não precisou quais. Algumas fontes sugerem uma ampliação das linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) a exportadores brasileiros para estimular o fluxo de mercadorias entre os dois países.

Também foi mencionada a reativação de um mecanismo que tinha sido pensado há um algum tempo para limitar o uso de dólares no comércio bilateral. É uma espécie de clearing entre as operações de exportação e importação, que permitiria o pagamento trimestral em divisas só da diferença entre ambas.

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Publicado por em 11 de março de 2014 em Notícias e política

 

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