RSS

Azevêdo espera acordo rápido entre Brasil e EUA sobre algodão – Brasil examinará lei agrícola dos EUA ‘com lupa’ antes de adotar sanções por algodão

10 mar

FONTE BBC BRASIL

Ligia Hougland De Washington para a BBC Brasil E Pablo Uchoa Da BBC Brasil em Washington

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, disse nesta segunda- feira em Washington que espera que o contencioso do algodão entre o Brasil e os Estados Unidos na organização se resolva “o mais rápido possível”.

Azevêdo não quis entrar em detalhes sobre as negociações entre o Brasil e os Estados Unidos paa resolver a disputa, que envolve a adoção de subsídios pelos Estados Unidos que beneficiam os produtores americanos, prejudicando os exportadores brasileiros. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) em Brasília está para decidir se o Brasil adota sanções contra os americanos, já autorizadas pela OMC.

“As conversações sobre o algodão, no meu entendimento, continuam no plano bilateral. Minha expectativa é de que haja um entendimento”, disse Azevêdo.

“Sempre que temos uma diferença entre dois membros, procuramos que essa diferença seja resolvida bilateralmente. Há outras negociações em andamento que podem ajudar, como a própria negociação da Rodada de Doha (de liberalização do comércio global), por exemplo, que pode, quem sabe, levar a entendimentos que nos permitam virar a página sobre o contencioso do algodão”, ressaltou.

OMC ‘precisa dos EUA’

O chefe da OMC disse que a disputa entre EUA e Brasil não foi discutida durante a reunião que teve nesta segunda-feira com o presidente dos Estado Unidos, Barack Obama, na Casa Branca.

“O encontro com Obama foi muito importante para mim. O presidente fez questão de informar que dá apoio aos esforços em Genebra e que a parceria dos EUA com Genebra vai continuar”, disse Azevêdo.

O diretor-geral da OMC salientou a necessidade de os EUA terem um papel central no debate sobre comércio global em Genebra, salientando que “a OMC precisa dos EUA e os EUA precisam da OMC.”

Essa foi a primeira visita do diretor-geral a Washington desde que a OMC fechou com sucesso, em dezembro passado, seu primeiro acordo global em 15 anos.

O pacote, que pode adicionar US$ 1 trilhão ao comércio global, busca simplificar os procedimentos para transações comerciais internacionais e dá mais espaço para que países em desenvolvimento aumentem seus subsídios agrícolas.

O acordo inclui parte do previsto nas negociações da Rodada de Doha, lançada há 12 anos.

Brasil examinará lei agrícola dos EUA ‘com lupa’ antes de adotar sanções por algodão

O governo brasileiro vai examinar “com lupa” a lei agrícola aprovada na Câmara dos Representantes dos EUA para avaliar se a legislação desmantela os subsídios ao algodão – conforme reivindicações de produtores brasileiros do setor, amparadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

A manutenção de mecanismos que distorçam o comércio mundial do algodão pode levar a retaliações do lado brasileiro que já foram autorizadas em 2010 pela OMC. As medidas só não entraram em vigor porque os dois países concordaram em não agir unilateralmente enquanto nova legislação não fosse aprovada pelo Congresso americano.

“A retaliação está sobre a mesa, ela é uma possibilidade real”, disse o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, após se reunir em Washington com o representante dos EUA para o Comércio, Michael Froman.

“Vamos ver (a legislação) com muito cuidado, com lupa, para ter certeza de que as nossas preocupações foram atendidas”, afirmou.

Insatisfação

Figueiredo disse que as autoridades indicaram para o governo brasileiro que a nova legislação deve atender às reivindicações brasileiras no sentido de desmantelar os subsídios ao algodão.

Porém, entidades como a Coalizão das Indústrias Brasileiras, que representa os interesses do setor privado brasileiro nos EUA, insistem que a legislação extingue alguns subsídios, mas contempla outros, o que no frigir dos ovos pode resultar em distorções até maiores do mercado.

A nova lei elimina os chamados pagamentos diretos aos produtores – pagos independentemente de eles produzirem ou não –, porém destina parte dos US$ 5 bilhões economizados anualmente para uma nova categoria de seguros de safras.

O projeto passou na Câmara na quarta-feira. Espera-se que seja votado no Senado na semana que vem.

Contencioso na OMC

Por causa dos subsídios americanos ao algodão, a OMC autorizou o Brasil a retaliar comercialmente os EUA, não apenas no campo agrícola, mas em qualquer setor econômico – mesmo em áreas sensíveis, como direitos autorais.

O valor autorizado da retaliação, US$ 829 milhões, foi o segundo maior da história, segundo a Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Para evitar a ação, os EUA vinham pagando, em parcelas mensais, um total anual de US$ 147,3 milhões a um fundo de apoio aos produtores brasileiros. Porém, o valor mensal foi pago apenas parcialmente em setembro e está suspenso desde outubro.

A Camex estabeleceu então um processo de consulta pública e criou um grupo técnico para “viabilizar a decisão sobre a adoção de medidas” até o fim de fevereiro.

Como parte do processo, os técnicos brasileiros devem submeter a nova lei americana a um rigoroso processo de avaliação, para o qual o encontro entre o chanceler Figueiredo e o embaixador Froman em Washington fornecerá subsídios.

O chanceler disse que não pretende “antecipar a decisão da Camex” em relação ao contencioso.

“Essa é uma decisão colegiada no governo, da própria Camex”, disse o ministro.

“Vamos analisar, vamos aprimorar o diálogo com os americanos para esclarecer as consequências dessa nova lei, até que nós, no Brasil, estejamos plenamente convencidos de que a lei faz o que eles dizem que ela faz, que é atender as preocupações brasileiras e eliminar os subsídios de maneira importante.”

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em 10 de março de 2014 em Notícias e política

 

Tags: , , , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: