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O QUE É, QUEM SÃO OS TEMIDOS (pelos governos) BLACK BLOC.

04 mar

Tentarei passar aqui uma visão neutra e informativa, a partir de uma imagem divulgada em redes sociais, e informações colhidas de manifestantes e pesquisadores, sobre os grupos BLOCO NEGRO, OU BLACK BLOC. Encontrarão o texto abaixo da imagem que se segue.

1794824_553629128077824_1247583650_nBlack bloc é o nome dado a uma estratégia de manifestação, na qual grupos mascarados e vestidos de negro se reúnem com objetivo de protestar em manifestações anti-globalização e/ou anti-capitalistas, entre outras ocasiões, utilizando a propaganda gerada pela ação para questionar o sistema vigente.

As roupas e máscaras negras que dão nome à estratégia são usadas para dificultar ou mesmo impedir qualquer tipo de identificação pelas autoridades, também com a finalidade de parecer uma única massa imensa, promovendo solidariedade entre seus participantes.

Black blocs se diferenciam de outros grupos anti-capitalistas por rotineiramente utilizarem da destruição da propriedade para trazer atenção para sua oposição contra corporações multinacionais e aos apoios e às vantagens recebidas dos governos ocidentais por essas companhias. Um exemplo desta atividade foi a destruição das fachadas de lojas e escritórios como McDonald’s, Starbucks, Fidelity Investments, e outros locais relacionados às corporações no centro de Seattle, durante as manifestações contra a Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio de 1999.

Segundo o jornalista e estudioso de movimentos anarquistas, Jairo Costa, dois momentos foram marcantes e significativos para os Black Blocs: a chamada “Batalha de Seattle”, em 1999, contra uma rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Após uma tarde de confrontos com as forças policiais, uma frente de black blockers quebrou o isolamento criado entre os manifestantes e o centro comercial da cidade, causando prejuízos estimados em 10 milhões de dólares. Outro foi o assassinato de Carlo Giuliani, jovem anarquista de 23 anos, durante a realização simultânea do Fórum Social de Gênova e a reunião do G8 (Grupo dos oito países mais ricos), na Itália, em julho de 2001, “Ele partiu para cima de um carro de polícia tentando atirar nele um extintor de incêndio. Muitos fotógrafos estavam por lá e seus registros falam por si. Ao se aproximar do carro, Giuliani é atingido por dois tiros, um na cabeça. E, numa cena macabra, o carro da polícia dá marcha a ré e atropela-o várias vezes”, narra. Os assassinos de Carlo Giuliani não foram condenados. Dois anos após o fato, a Justiça italiana considerou que a ação policial se deu como “reação legítima” ao comportamento do militante.

A Revista Veja assim os descreveu: “No começo, quase ninguém notou a chegada deles. Em 20 de abril de 2001, o mesmo dia em que grupos anarquistas no Canadá protestavam contra a criação da Alca, em Quebec, na Avenida Paulista, em São Paulo, um bando de arruaceiros com o rosto coberto destruía a marretadas agências bancárias e uma loja do McDonald’s. Era a primeira arruaça black bloc no Brasil.”

O PSTU também criticou o grupo: “Os Black Blocs, porém, têm uma ação distinta. Entram nas passeatas e, sem que tenha havido nenhuma deliberação por parte dos manifestantes ou dos grupos que organizaram o protesto, atacam de forma provocativa a polícia, que reage, sistematicamente, reprimindo e acabando com as mobilizações. Agem como provocadores da repressão policial, tendo sido responsáveis, muitas vezes, por acabar com várias passeatas.”

O jornalista e estudioso de movimentos anarquistas, Jairo Costa, no artigo “A tática Black Bloc”, publicado na Revista Mortal, lembra que o Black Bloc surgiu na Alemanha, na década de 1980, como uma forma utilizada por autonomistas e anarquistas para defenderem os squats (ocupações) e as universidades de ações da polícia e ataques de grupos nazistas e fascistas. “O Black Bloc foi resultado da busca emergencial por novas táticas de combate urbano contra as forças policiais e grupos nazifascistas. Diferentemente do que muitos pensam, o Black Bloc não é um tipo de organização anarquista, ONG libertária ou coisa parecida, é uma ação de guerrilha urbana”, contextualiza Costa.

No Brasil, existem páginas do movimento de quase todas as capitais e grandes cidades. A maior é a Black Bloc Brasil, com quase 35 mil seguidores, seguida pela Black Bloc–RJ, com quase 20 mil membros.

Para Leo Vinicius, escritor, é preciso deixar claro que a noção de que “toda ação Black Bloc é feita por anarquistas e que todos anarquistas fazem Black Bloc” é falsa. “A história do Black Bloc tem uma ligação com o anarquismo, mas outras correntes como os autonomistas, comunistas e mesmo independentes também participavam. Nunca foi algo exclusivo do anarquismo. Na prática, o Black Bloc, por se tratar de uma estratégia de operação, pode ser utilizado até por movimentos da direita”, explica.

Ele afirma que não entende como violenta a ação Black Bloc de quebrar uma vidraça ou se defender de uma ação policial excessiva. “A violência é um conceito bastante subjetivo. Por isso, não dá pra taxar qualquer ato como violento, é preciso contextualizá-lo, entender as motivações por trás de cada gesto”, avalia.

Para ele, a eficácia de uma manifestação está em saber articular bem formas de ação “pacíficas” e “não pacíficas”. Foi esse equilíbrio, analisa, que fez com que o Movimento Passe Livre – São Paulo (MPL-SP) barrasse o aumento da tarifa na capital paulista. “Só com faixas e cartazes a tarifa não teria caído”, atesta. “Quem tem o poder político nas mãos só cede a uma reivindicação pelo medo, por sentir que as coisas podem sair da rotina, de que ele pode perder o controle do Estado”.

Nas manifestações, independentemente das causas e de quem organiza, tornou-se comum ouvir o grito ritmado: “Sem violência!”, sendo dirigido aos policiais, na tentativa de faze-los entender a intenção pacífica do ato. Também seria usado como tentativa de inibir a ação de “vândalos” ou “baderneiros”, que entenderiam não contar com o apoio do restante dos participantes da manifestação.

Os Black Bloc também eram alvo desses gritos, mas, segundo Zuleide Silva (nome fictício), anarquista e adepta do Black Bloc (edição 125 da revista Fórum), quando as pessoas entenderam a forma como eles atuam, isso mudou. “Os manifestantes perceberam que o Estado não iria nos deixar falar, nos deixar reivindicar algo, e começaram a nos reprimir. Quando há confronto [com a polícia], nós os ajudamos retardando a movimentação policial ou tirando eles de situações que ofereçam perigo, e alguns perceberam isso”, afirma.

Os adeptos afirmam não ter como objetivo atacar policiais. Contudo, no documento “Manifesto Black Bloc” deixam claro que, caso a polícia assuma um caráter “opressor ou repressor”, ela se torna, automaticamente, uma “inimiga”.

No “Manual de Ação Direta – Black Bloc”, também disponível na internet, a desobediência civil é definida como “a não aceitação” de uma regra, lei ou decisão imposta, “que não faça sentido e para não se curvar a quem a impõe. É este o princípio da desobediência civil, violenta ou não”. Entre as possibilidades de desobediência civil são citadas, por exemplo, a não aceitação da proibição da polícia que a manifestação siga por determinado caminho, a resistência à captura de algum manifestante ou, ainda, a tentativa de resgatar alguém detido pelos policiais.

Amados e odiados, olhados como heróis por uns e como vândalos e baderneiros por outros, os Black Blockers já são uma realidade no Brasil que a cada dia ganha mais adeptos, tirando o sono de muitos governantes e autoridades de segurança pública, que cogitam, até mesmo, a criação de locais apropriados para manifestações, um verdadeiro “manifestódromo”, o que nos leva a crer ser uma proposta  que além de coibir direitos constitucionalmente consagrados, somente despertaria a ira dos grupos mais radicais, transformando as cidades em praças de guerra.

Enquanto o Governo fala em ação de vândalos, manifestantes falam em reação contra a opressão, alegam que reagem à inércia dos Poderes frente as reinvindicações da sociedade, somada ao aparato repressivo lançado contra manifestantes.

Em página de internet de um grupo de Black Blockers pode ser lida a convocação, “7 de Setembro… Nada de pintar o rosto ou sair com bandeiras do Brasil, a luta é pela humanidade, contra toda forma de opressão e desigualdade por parte dos governantes. Todos de Preto!”

Considerando que a quantidade de escândalos em todas as esferas de Poder, considerando que as reinvindicações não são absurdas, que são reconhecidas pelos próprios governantes como legítimas, inevitável é nos questionarmos o motivo pelo qual não são atendidas, se não seria mais barato aos cofres públicos menos aparatos repressivos e ideias mirabolantes e um verdadeiro processo de moralização política que não somente satisfizesse os anseios populares, mas também à ética e à moralidade publica.

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